O presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, afirmou-se surpreendido pela revelação do ministro da Saúde de que teria atribuído 120 milhões de euros ao Hospital Garcia de Orta e pediu explicações sobre a utilização desse dinheiro.

«O senhor ministro, hoje, deixou-nos surpreendidos ao dizer que investiu neste hospital [Garcia de Orta] 120 milhões de euros», disse o autarca, lembrando que a construção do hospital do Seixal permitia descongestionar o Garcia de Orta e custava apenas metade do dinheiro.

«A verdade é que o hospital do Seixal, que resolvia o problema, custa 60 milhões de euros. Há que explicar no que é que o senhor ministro gastou 120 milhões de euros neste hospital [Garcia de Orta] e porque é que este hospital, onde se gastou 120 milhões de euros, tem ainda as urgências num estado caótico, tem mortes nas urgências, quando, com 60 milhões de euros se resolvia no problema», acrescentou.

O autarca do Seixal, que falava à Lusa durante uma concentração em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) junto ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal, lembrou que foi o próprio Ministério da Saúde a reconhecer que a solução para descongestionar o Hospital Garcia de Orta passava pela construção do hospital do Seixal.

«O Hospital do Seixal surge num estudo do Ministério da Saúde como uma solução para o problema de sobrelotação do Hospital Garcia de Orta, em Almada. O Hospital Garcia de Orta foi construído para 155.000 utentes, mas serve mais de 400.000 e, por isso, algo tem de ser feito», defendeu.

Ainda antes da concentração em Almada, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, justificou a recusa na construção de uma nova unidade hospitalar no Seixal com o investimento estratégico de 200 milhões de euros realizado na península de Setúbal, designadamente nos hospitais de Setúbal, Garcia da Orta (Almada) e Barreiro-Montijo.

«O Estado, além dos orçamentos anuais, fez investimentos, disponibilizou fundos, reduziu passivos e fez aumentos de capital em dinheiro, ou seja, deu dinheiro para regularização de dívidas, perto dos 300 milhões de euros, dos quais 120 milhões no hospital Garcia da Orta», disse Paulo Macedo.

O ministro realçou a importância do investimento de 200 milhões de euros, que permitiu dotar aqueles hospitais de uma situação económico-financeira equilibrada, e considerou que é melhor potenciar as unidades hospitalares existentes do que dispersar recursos para outro hospital.