A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) atribui os atrasos no atendimento dos serviços de urgência nas últimas semanas à carência de recursos humanos ou à aproximação de um eventual pico gripal.

«Poderá justificar-se esta situação com uma eventual fusão de serviços de urgência de grandes hospitais que têm como consequência uma menor capacidade de responder depois a um acréscimo pontual de doentes», disse em declarações à Lusa Marta Temido, presidente da APAH.

De acordo com a presidente da Associação, a falta de recursos humanos das equipas «tem de ser avaliada caso a caso», acrescentando que as causas dos problemas de uns hospitais podem não ser as mesmas de outros.

Marta Temido disse que a reestruturação de serviços de urgência combinada com a aproximação de um eventual pico gripal pode levar a «situações muito complicadas e indesejáveis», conduzindo «à exasperação dos profissionais - já que ninguém gosta de ter filas de doentes em espera -, mas sobretudo à preocupação dos utentes, que não veem os seus problemas a ser resolvidos com a celeridade que gostariam».

A presidente da APAH lembrou ainda que, em janeiro, os picos de gripe fazem com que haja «anualmente situações relatadas de grande afluência às urgências e perturbação do normal funcionamento».

«Infelizmente é uma situação à qual temos vindo a assistir com maior ou menor intensidade anualmente. Também no verão, aquando da onda de calor, também se verificou uma afluência nas urgências», frisou.

Marta Temido sublinhou que o eventual pico gripal «ainda está para vir» devido à transmissão do vírus.