Os assistentes técnicos e operacionais da urgência do Hospital de Aveiro decidiram esta segunda-feira em plenário entregar um pré-aviso de greve para dia 18, em protesto pela degradação das condições de trabalho.

«Os assistentes da urgência estão a ser sujeitos a uma violência sem paralelo, que exige a denúncia pública», disse aos jornalistas José Abraão, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP), que organizou o plenário.

Em causa está o insuficiente número de pessoas ao serviço, que são obrigadas a fazer turnos consecutivos, tendo ainda que deixar as suas tarefas para tratarem da remoção de cadáveres, com base num protocolo assinado entre a administração hospitalar e o Instituto de Medicina Legal.

«Os que se aposentaram não foram substituídos, cerca de uma dezena está de baixa por não aguentar e, involuntariamente, os que ficam têm de fazer o trabalho por todos. As pessoas estão esgotadas e têm dezenas de horas a crédito que não sabem quando vão gozar porque depende da conveniência de serviço e do critério do respetivo dirigente», denunciou.

No plenário desta segunda-feira foi aprovado enviar um pré-aviso de greve e tentar reunir com o conselho de administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga e com a Administração Regional de Saúde do Centro.

«Não queremos fazer a greve pela greve, mas para que a negociação se verifique e os problemas sejam resolvidos. Temos tentado junto da ARS do Centro e da administração hospitalar perceber porque é que não há a contratação de novos trabalhadores e amanhã mesmo vamos reunir com o secretário de Estado da Administração Pública para tratar dos suplementos que existem na tabela apresentada, procurando também ver se é possível desbloquear a admissão de pessoal», disse o dirigente sindical.

Segundo José Abraão, os trabalhadores que se aposentaram têm sido substituídos por pessoas que estão desempregadas ao abrigo de programas de reinserção, ou por trabalhadores de empresas que vão sendo contratadas, o que, em seu entender, «não é a melhor resposta porque não estão inseridos na mecânica do serviço».

Aquele sindicato, filiado na FESAP e afeto à UGT, vai também marcar presença na manifestação convocada pelos médicos frente ao Ministério da Saúde, «porque também os assistentes operacionais e assistentes técnicos entendem que chegou a altura de dizer basta!»