O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) informou esta quinta-feira que abriu um inquérito à morte, na urgência de Peniche, de uma mulher de 79 anos, cuja família tenciona recorrer à Justiça por suspeitas de negligência.

«De modo a averiguar com maior detalhe a situação ocorrida, o CHO decidiu, no dia 07 de janeiro [quarta-feira], abrir um processo de inquérito», revelou a instituição hospitalar, em resposta à agência Lusa.

A mulher, de 79 anos, residente em Geraldes, morreu na segunda-feira quando estava em observação na urgência de Peniche, em circunstâncias que, para os respetivos familiares, estão por esclarecer.

Eunice Franco, filha da septuagenária, disse à agência Lusa que, na manhã de segunda-feira, a mãe se queixou «de uma dor forte no peito, que lhe apanhava as costas e os ouvidos» e que foi transportada de automóvel, por familiares, à urgência de Peniche, onde deu entrada cerca das 09:30.

Após a atribuição da pulseira amarela (a terceira mais grave de cinco, segundo o protocolo de Manchester), a mulher foi atendida, quinze minutos depois, sendo submetida a análises e eletrocardiograma.

Eunice Franco explicou que a sua mãe ficou em observação, à espera dos resultados dos exames, até cerca das 16:30, altura em que conseguiu falar com o médico que, por sua vez, a informou que os resultados dos exames «nada acusaram» e que a septuagenária iria ser transferida para o hospital de Caldas da Rainha, com o objetivo de aí ser submetida a uma Tomografia Axial Computorizada (TAC) torácica.

Depois de falar com a mãe, que se queixava de a dor ser cada vez mais intensa, e de regressar à sala de espera da urgência, a filha soube que a mãe viria a morrer depois das 19:00, antes de ter sido transportada de ambulância, como confirmou também o CHO.

Eunice Franco disse que a família tenciona avançar com uma ação judicial por alegada negligência, adiantado que a decisão que vai ser formalizada depois de se conhecerem os resultados da autópsia, que deverá ser realizada na sexta-feira.

Questionado pela Lusa, o CHO esclareceu que «o atendimento proporcionado à utente foi adequado e atempado».

«A doente esteve sempre acompanhada pelos profissionais do serviço de observação da urgência, o atendimento médico foi célere e os dados disponíveis indiciam que foram adequados à situação clínica da vítima», sublinhou.

Segundo o centro hospitalar, a doente «manteve-se sob vigilância médica com estabilidade do quadro clínico», mas, como continuava a queixar-se de dores, a equipa médica repetiu os exames à tarde e, como o problema não foi resolvido, decidiu avançar com a TAC.