Os institutos politécnicos portugueses têm mais dificuldade em conseguir financiamento para projetos de investigação do que as universidades, de acordo com os primeiros resultados de um estudo europeu apresentado, esta quarta-feira, em Lisboa.

«Em Portugal, os politécnicos têm dificuldade em obter financiamento para a investigação, porque concorrem em concurso direto com as universidades», revelou José Miguel Ferreira, o investigador do grupo de trabalho responsável pelo projeto que está a ser realizado sobre instituições de ensino superior de cariz profissionalizante.

De acordo com a Lusa, o projeto «Haphe», que conta com a colaboração de onze parceiros de dez países, só estará concluído no final do ano mas já é possível conhecer alguns resultados do trabalho desenvolvido pela Eurashe (a associação europeia de instituições de ensino superior).

No estudo, Portugal surge ao lado da Estónia, Flandres, Alemanha, Estónia e Eslováquia no que toca à dificuldade em conseguir financiamento para investigação. Mas, existem países, como a Polónia, onde a investigação é simplesmente vedada a estas instituições, sublinhou José Miguel Ferreira.

O projeto mostra «uma tendência para um maior envolvimento na investigação por parte destas instituições», disse o investigador, durante o seminário que decorreu esta quarta-feira no Conselho Nacional de Educação (CNE).

Admitindo que a investigação é uma preocupação dos politécnicos, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) sublinhou precisamente essa tendência europeia. Joaquim Mourato lamentou as dificuldades de acesso ao financiamento e garantiu que as «instituições promovem cada vez mais a investigação».

«A investigação é fundamentalmente financiada pela FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia). Os critérios de aprovação de projetos assentam muito na tradição e os projetos apresentados pelos politécnicos estão em desvantagem, porque os programas são definidos a pensar no ensino universitário», reconheceu Joaquim Mourato, em declarações à Lusa à margem do seminário.

Outro dos aspetos analisados pelo projeto é a facilidade que os alunos têm em mudar de uma instituição politécnica para uma universidade: «Neste ponto estamos bem. Um aluno licenciado num politécnico, por exemplo, pode frequentar depois um mestrado numa universidade», afirmou Joaquim Mourato.

De acordo com os dados preliminares do estudo, em Portugal, na Alemanha e na Estónia, os alunos têm facilidade em mudar de instituição. Já na Croácia, um estudante que frequente um estabelecimento de ensino profissional não consegue prosseguir os estudos numa universidade.

Questionado pela Lusa sobre a entrada em vigor dos novos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTSP), recentemente publicados em Diário da República, Joaquim Mourato lamentou a falta de respostas por parte da tutela que permitam aos politécnicos começar a trabalhar na implementação destes novos cursos.

Para o CCISP, não deveria haver um período em que estivessem a funcionar em simultâneo os recém-criados CTSP e os antigos Cursos de Especialização Tecnológica (CET), que deverão acabar apenas no final do próximo ano letivo.

Os CTSP podem começar a funcionar já no próximo ano letivo mas Joaquim Mourato duvida que seja viável em tão curto espaço de tempo.

Além disso, o presidente do CCISP criticou a forma de financiamento escolhida pelo Ministério: «Estes cursos têm de ser financiados pelo Orçamento de Estado e não apenas subsidiados por fundos comunitários, porque esse dinheiro nunca é uma certeza e nem sempre chega quando é necessário».