Portugal é um dos únicos 15 países no mundo que tem as três políticas essenciais para apoiar famílias com crianças, revela um relatório da UNICEF, que alerta que uma em cada oito crianças vive num país sem qualquer apoio.

De acordo com o relatório, divulgado esta quinta-feira, entre os 193 países no mundo, “apenas 15 (…) põem em prática três políticas nacionais básicas que ajudam a assegurar o tempo e os recursos de que os pais precisam para apoiar o desenvolvimento cerebral saudável dos seus filhos”.

Nesse restrito grupo de 15 países está Portugal, juntamente com países como Cuba, França, Rússia ou Suécia, refere o relatório “Os primeiros momentos contam para todas as crianças”.

As políticas que a UNICEF destaca são dois anos de educação pré-primária gratuita, licença de maternidade paga durante até os primeiros seis meses de vida da criança, além de quatro semanas de licença de paternidade remuneradas.

“Estas políticas ajudam os pais a proteger melhor os seus filhos e a proporcionar-lhes uma nutrição mais adequada, e permite-lhes brincar e ter experiências de aprendizagem precoce nos primeiros dois anos de vida, que são cruciais na altura em que as ligações neurais se processam a um ritmo que não voltará a repetir-se”, lê-se no comunicado de imprensa.

Do lado oposto está um “cenário sombrio”, onde vivem 85 milhões de crianças – uma em cada oito com menos de cinco anos – dispersas pelos 32 países que não adotam nenhuma dessas políticas, sendo que 40% destas crianças vivem em apenas dois países, Bangladesh e Estados Unidos.

Segundo a UNICEF, há milhões de crianças, com menos de cinco anos, que estão a viver em zonas inseguras, desde cerca de 75 milhões que vivem em zonas afetadas por conflitos, o que, segundo a UNICEF, aumenta o risco de stresse tóxico e pode inibir as conexões cerebrais na primeira infância.

“A nível global, uma nutrição pobre, ambientes insalubres e doenças deixaram 155 milhões de crianças com atrasos no desenvolvimento, o que as impede de desenvolver todo o seu potencial físico e cognitivo”, diz a UNICEF.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância alerta que um quarto de todas as crianças com idades entre os dois e os quatro anos, que vivem em 64 países, não participam em atividades essenciais para o desenvolvimento cerebral, tal como cantar, brincar ou ler.

Além disso, cerca de 300 milhões de crianças vivem em zonas onde o ar é tóxico, “o que, segundo estudos recentes, pode danificar o desenvolvimento cerebral das crianças”.

Segundo a UNICEF, os governos gastam, em média, menos de 2% dos seus orçamentos com programas para a primeira infância, apesar de o relatório destacar que “os investimentos que forem feitos nos primeiros anos de vida das crianças de hoje se traduzem em ganhos económicos significativos no futuro”.

Nesse sentido, o relatório aproveita para apelar aos governos e ao setor privado para apoiarem as políticas nacionais básicas direcionadas para a primeira infância, nomeadamente investindo e ampliando os serviços que deem mais prioridade às crianças mais vulneráveis.

Propõe que se torne as políticas de apoio às famílias, especificamente as três que são destacadas, uma prioridade nacional, que seja dado aos pais que trabalham o tempo e os recursos para apoiar os filhos e que sejam monitorizados os progressos no que diz respeito ao universo das crianças e das famílias mais desfavorecidas.