O presidente da Câmara de Paredes queixou-se hoje, em declarações à Lusa, da falta de apoio da proteção civil nacional para acorrer às consequências do tornado que danificou, na última noite, dezenas de edifícios, desalojando várias famílias.

«Excetuando a componente do comando distrital, estamos neste momento completamente entregues a nós próprios, ou seja, com a nossa proteção civil e com problemas gravíssimos que envolvem a destruição de unidades industriais, residências, edifícios escolares, uma igreja, um cemitério», declarou Celso Ferreira.

O autarca disse que a situação é de tal forma grave que a câmara já está a preparar, um dossiê para pedir, ainda hoje, ao Governo a declaração de situação de calamidade pública.

«Estamos necessitados de uma resposta diferenciada para problemas diferenciados», acrescentou Celso Ferreira, adiando que a proteção civil distrital do Porto já recebeu uma primeira lista das principais necessidades.

Comentando a situação que se viveu durante a noite em quatro freguesias do concelho, o autarca considera que se viveram «momento aterradores».

«Estamos a falar de uma zona densamente povoada e densamente ocupada por atividade económicas. Estamos a falar de algo surpreendente e aterrador, nunca visto», descreveu.

O fenómeno meteorológico que hoje se verificou tem sido descrito pela proteção civil como um tornado que, cerca das 03:15, danificou dezenas de casas, duas fábricas, uma escola, uma igreja e um cemitério. As freguesias mais afetadas foram Duas Igrejas, Vilela e Lordelo, numa extensão de cerca de quatro quilómetros, nas contas do presidente da câmara.

O presidente da Câmara de Paredes disse também haver várias entidades públicas e privadas que se estão a disponibilizar para ajudar a autarquia a socorrer as famílias que ficaram desalojadas após o tornado da última noite, no concelho.

«Tenho recebido vários contactos de instituições públicas e privadas que disponibilizaram ajuda. Não vamos rejeitar essas ajudas e isso vai-nos permitir resolver os problemas das famílias», afirmou Celso Ferreira.

O tornado da noite passada, sentido cerca das 3:15, danificou cerca de 60 habitações das freguesias de Duas Igrejas, Lordelo e Vilela, uma zona de elevada densidade populacional e industrial.

«Temos a nossa ação social a trabalhar. Muitos destes agregados familiares estão a ser acolhidos por familiares. Estamos à procura de soluções, algumas de curto prazo, para realojamentos alternativos e para preparar a reabilitação do edificado», explicou o edil.

O tornado também destruiu a cobertura do pavilhão desportivo da Escola Secundária de Vilela. O autarca disse à Lusa que, numa primeira avaliação, o edifício principal do estabelecimento de ensino não terá sido afetado, mas o levantamento ainda está a decorrer.