A reumatologista Sandra Garcês foi a grande vencedora do Prémio Investigação Clínica da Pfizer de 2013, com um modelo de otimização terapêutica que pode poupar 20 milhões de euros por ano ao Serviço Nacional de Saúde.

A médica, do Hospital Garcia de Orta, em Almada, lidera a equipa que desenvolveu um algoritmo para otimizar a terapêutica a doentes com artrite reumatoide, patologia que afeta, principalmente, as articulações.

O algoritmo, «de apoio à decisão clínica», que avalia a quantidade de medicamento no sangue e a presença de anticorpos contra fármacos biológicos bloqueadores de moléculas inflamatórias, foi testado, ao longo de um ano, em 105 doentes que tiveram uma «probabilidade de resposta à terapêutica cerca de dez vezes superior», comparativamente a outros doentes.

A reumatologista adiantou à agência Lusa que o algoritmo pode ser aplicado a outras doenças crónicas inflamatórias, igualmente incapacitantes, que são tratadas com os mesmos medicamentos, como as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino, colite ulcerosa e doença de Crohn.

O próximo passo será testar e validar a dose mínima de medicamentos para cada doente.

De acordo a investigadora, que iniciou em 2008 o trabalho ao abrigo de um programa de doutoramento financiado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, muitos dos doentes, que respondem bem à terapêutica, têm sem necessidade «concentrações plasmáticas de fármaco muito elevadas, muito superiores às que estão preconizadas».

Sandra Garcês crê que, com os novos critérios de avaliação da resposta terapêutica propostos, é possível fazer um tratamento personalizado aos doentes, mais eficaz e com menos custos, que se traduziria numa poupança anual de 20 milhões de euros no Serviço Nacional de Saúde.

Os investigadores Margarida Amaral e Luís Ferreira Moita são os outros vencedores, na categoria Prémio Investigação Básica da Pfizer.

Margarida Amaral, professora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integra uma equipa europeia que analisou cerca de 800 genes, que, quando inibidos, diminuem a atividade da proteína ENaC, que está hiperativa nos doentes com fibrose quística.

Por sua vez, Luís Ferreira Moita coordena uma equipa, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que conseguiu testar, com êxito, em ratinhos, a eficácia de um grupo de medicamentos, habitualmente utilizados no tratamento do cancro, no bloqueio da sépsis, infeção generalizada no organismo.

A entrega dos galardões realiza-se esta quinta-feira, em Lisboa, numa cerimónia presidida pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, e pela secretária de Estado da Ciência, Leonor Parreira.

Os prémios, considerados os mais antigos na investigação biomédica, foram instituídos em 1955 e resultam de uma parceria entre os laboratórios Pfizer e a Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa.