O Conselho Geral da Universidade de Coimbra (UC) aprovou o aumento das propinas em 2,13 euros e vai usar esse valor para a manutenção de residências de estudantes, informou o reitor.

A atualização do valor da propina, de acordo com o índice de preços no consumidor, de 1065,72 para 1067,85 euros, foi proposta pelo reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, em Conselho Geral, tendo sido aprovada ao final da tarde, com 15 votos a favor, 11 contra e duas abstenções.

«Não será por 2,13 euros que um estudante irá abandonar o ensino superior», frisou João Gabriel Silva, referindo que, por outro lado, para a qualidade da «instituição se manter, cada cêntimo conta».

O aumento, que deve totalizar 35 mil euros, será usado «para obras em residências universitárias», avançou o reitor, justificando que os cortes do Estado no ensino superior levaram a uma «insuficiência» na manutenção das instalações da universidade.

«A UC está profundamente ao lado dos estudantes e batalha para todos os dias manter a qualidade» do ensino da instituição, disse João Gabriel Silva à comunicação social presente no final da reunião do Conselho Geral.

O presidente da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), Bruno Matias, manifestou-se «contra a decisão», considerando que, com o aumento das propinas, «a UC opta por não estar ao lado dos estudantes».

«Esta era a altura certa para a Universidade de Coimbra se juntar às várias universidades que congelaram o valor das propinas», disse o dirigente estudantil, que falou no Conselho Geral aquando da discussão do ponto da atualização da propina.

Face à decisão do organismo da universidade, a AAC «não fecha a porta a mecanismos de contestação», referiu ainda.

Cerca de 20 estudantes estiveram também concentrados à porta da reitoria, às 14:00, altura em que começava a reunião do Conselho Geral, para sensibilizar os membros do órgão que entravam.

Carolina Rocha, estudante da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), afirmou que os alunos presentes concentraram-se, «não apenas por causa do aumento da propina, mas pela propina em si».

«A propina é um muro contra o acesso dos jovens ao ensino superior», criticou, constatando que, «todos os dias, há estudantes a abandonar» a universidade.

Para a estudante da FCTUC, o ensino superior «é um direito», considerando que, de momento, está a transferir-se «a responsabilidade de financiamento» das instituições para «as famílias e para os jovens».

Durante a reunião do Conselho Geral, foi também marcado o calendário eleitoral para a eleição do reitor, que se irá realizar em fevereiro de 2015, com as candidaturas apresentadas até dezembro, informou João Gabriel Silva, que não avançou com qualquer comentário sobre a possibilidade de uma recandidatura.