A terceira corrida de touros que ocorre em Viana do Castelo desde que a cidade se declarou antitouradas começou hoje com fraca adesão de público, com ativistas pelos direitos dos animais e forte dispositivo policial.

A ordem para que o espetáculo fosse iniciado foi dada às 17:00 pelo diretor de corrida, nomeado pela Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC).

Pouco antes do início da tourada, Manuel Gama garantia à Lusa que «tudo estava em ordem para a realização do espetáculo» que inclui a lide de seis touros, com dois toureiros, um novilheiro e um grupo de forcados.

«Como sabe, isto é um espetáculo legalizado pelo Estado. Eu sou representante do Estado e se me mandaram estar cá é porque está tudo em condições, tudo dentro da lei para se dar o espetáculo tauromáquico», sustentou o diretor de corrida.

Questionado pela Lusa sobre a ausência de vistoria ao recinto, denunciada pela Câmara Municipal, e da inexistência de parecer da proteção civil sobre as medidas de autoproteção Manuel Gama respondeu: «Essa parte já não me compete a mim. Não vou poder responder a essa questão».

Nas proximidades do terreno privado onde está instalada a praça amovível estão cerca de 50 manifestantes vestidos de preto, gritando palavras ordem sob olhar atento do corpo de intervenção da PSP, que disponibilizou 30 homens e duas unidades cinófilas para o local.

Questionado pela Lusa sobre o número de bilhetes vendidos para a corrida, José Carlos Durães, o porta-voz do movimento «Vianenses pela Liberdade» escusou-se a apontar um número e recusou a entrada da Lusa na praça amovível para verificar o número de espetadores presentes.

A estrutura tem capacidade para 3.200 pessoas.

O preço dos bilhetes oscila entre os 15 e os 25 euros.

Sábado à Lusa, o comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Viana do Castelo afirmou ter informado a organização da tourada, o movimento "Vianenses pela Liberdade", que a arena amovível não se encontra licenciada.

Em causa, explicou na altura, estão as medidas de autoproteção previstas no decreto-lei nº 220/2008 e pela portaria nº 1532/2008.

Além da ausência daquele parecer o comandante distrital adiantou ter sido informado, sexta-feira pela Câmara Municipal da inexistência de Alvará de Licença de Instalação e Funcionamento de Recinto Improvisado face à impossibilidade de realização, sexta-feira, da respetiva vistoria por impedimento do requerente.

Sexta-feira, em nota enviada à imprensa a autarquia explicou que «o representante da associação Vianenses pela Liberdade impossibilitou a entrada dos técnicos camarários no terreno privado onde se encontra montada a praça de touros ambulante».

Contatado pela Lusa o segundo comandante da PSP afirmou ter recebido, sexta-feira, uma comunicação do CDOS que refere a «falta de um licenciamento da proteção civil para o recinto e que a realizar-se o espetáculo o promotor será alvo de um processo de contraordenação».