Os trabalhadores em greve da Linha Saúde 24 apelaram hoje à intervenção do Ministério da Saúde, sublinhando que apesar do serviço ter sido concessionado a uma empresa privada, trata-se de «uma linha pública».

«É uma situação que começa a tornar-se urgente», disse à Lusa Márcia Silva, uma das enfermeira que esta tarde se encontrava concentrada com outros trabalhadores da Linha Saúde 24 junto ao prédio onde está instalado o «call-center» de Lisboa da linha.

Recordando que há cerca de três semana os trabalhadores foram confrontados com «uma imposição unilateral da empresa» de redução do valor/hora que é pago aos enfermeiros que prestam serviço na Linha Saúde 24, Márcia Silva adiantou que neste momento já se começaram os despedimentos de trabalhadores que não aceitaram assinar a adenda ao contrato.

«Dois que não assinaram já receberam cartas de rescisão», disse, lamentando que a empresa a quem foi concessionado o serviço - a LCS - continue a manter uma atitude «irredutível» e de «coação».

A enfermeira apelou por isso ao Ministério da Saúde para que dê resposta ao pedido dos trabalhadores para que intervenha na situação, considerando que o ministério é o responsável pela Linha Saúde 24.

«A Linha Saúde 24 é uma linha pública, é serviço público, deveriam agir para conseguirem tomar conta da situação», defendeu, acrescentando que os trabalhadores também já dirigiram apelos à comissão parlamentar de saúde e à Direcção-Geral de Saúde, a única entidade que até agora os recebeu.

Além destes pedidos, os trabalhadores da Linha Saúde 24 também já fizeram uma queixa à Autoridade das Condições de Trabalho, pedindo uma inspeção à empresa LCS, já que os 400 trabalhadores que prestam serviço nos call centers de Lisboa e do Porto estão numa situação de «falsos recibos verdes».

Márcia Silva adiantou também que a greve de 24 horas, que começou às 08:00, está a ter uma grande adesão, e que neste momento são os supervisores, que nunca fazer o serviço de atendimentos, mas apenas de apoio aos «comunicadores», que estão a assegurar o serviço.

Contudo, em Lisboa, em vez das 25 pessoas que deveriam estar neste momento a atender, deverão estar apenas cinco, um número insuficiente para dar resposta ao volume de chamadas, que diariamente rondam as três mil, apontou.

O administrador da empresa que gere a Linha Saúde 24 revelou que metade dos trabalhadores não compareceu hoje ao serviço e alertou para o «elevado número» de chamadas falsas cuja origem prometeu averiguar.

Em declarações à agência Lusa a propósito da recusa de vários enfermeiros em realizarem hoje o atendimento telefónico, num protesto contra a redução do valor pago por hora, Luís Pedroso Lima disse que o serviço funcionou hoje com metade dos colaboradores.

«Obviamente que este diferendo perturba sempre o funcionamento da linha», disse o administrador da empresa LCS, responsável por esta linha do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na origem do protesto está a intenção da empresa reduzir o valor pago por hora aos colaboradores que, segundo Luís Pedroso Lima, se deve à diminuição do montante que o Estado paga à empresa e que este ano será «70% mais baixo do que o valor inicialmente contratado».

A proposta da empresa é de baixar dos 8,75 euros pagos atualmente por hora de trabalho para os sete euros, «ainda assim superiores aos cinco euros por hora praticados nos hospitais do SNS», disse Luís Pedroso Lima.

Em relação aos colaboradores que hoje não trabalharam, o administrador ressalvou: «Não estamos perante uma greve, porque tal pressuporia um aviso de greve. Nem sequer fomos informados de que isto ia acontecer».

Luís Pedroso Lima adiantou ainda que a Linha de Saúde 24 recebeu hoje «um elevado número de chamadas falsas», as quais eram desligadas «ao fim de seis segundos de comunicação».

«Sendo este um serviço de interesse público, em que está a causa a saúde das pessoas, este tipo de chamadas perturba», disse.