Os humoristas do canal brasileiro «Porta dos Fundos», que produzem sobretudo vídeos para a Internet, decidiram transformar o conceito num espetáculo ao vivo e vão estrear-se em Portugal na próxima quarta-feira.

Em declarações à agência Lusa, António Tabet, um dos fundadores da «Porta dos Fundos», admitiu que «os portugueses identificam-se tanto ou mais com este tipo de humor do que os brasileiros», primando pelas piadas inteligentes e deixando de lado fórmulas e temas banais.

O ator e guionista do grupo criativo explicou que este espetáculo tem como objetivo «aproximar os atores do público» e prometeu que alguma piada deve surgir acerca de Portugal, mas que «não será a velha piada com portugueses e brasileiros».

Falando da essência da «Porta dos Fundos», António Tabet relatou que «a necessidade de produzir conteúdos de forma independente foi um dos fatores que levou à criação do projeto» na Internet, já que parte da equipa trabalhava em televisão, nascendo assim «um Porta dos Fundos independente e irreverente, que foge dos modelos standard, com conteúdos alternativos».

O guionista explicou que a interpretação dos atores da «Porta», deve ser «o mais próxima possível do mundo real», gerando um sentimento de identificação com o espectador, não seguindo o exemplo do «exagero televisivo», e frisou que, «nas telenovelas de hoje, em pleno 2014, é tudo muito perfeito, fruto do que as pessoas, sobretudo de classes menos abastadas, gostariam de ter».

O canal brasileiro foi o primeiro a atingir a marca de um milhão de inscritos, em menos de um ano de existência, e venceu o prémio de «Melhor Programa de Humor Para TV», pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, tendo agora os seus autores decidido arrancar com um espetáculo ao vivo em Portugal, tendo em conta o sucesso que os seus vídeos têm tido.

Na criação dos textos, que são a base do sucesso, as inspirações dos quatro guionistas são variadas, já que cada um gosta de escrever acerca de temas específicos.

Atónio Tabet contou que se inspira em «Monty Python» e que escreve mais acerca «do quotidiano e relações afetivas», enquanto que «Fábio Porchat gosta de religião, Gregório Duvivier da política e Gabriel Esteves faz textos mais surrealistas».