Uma dezena de pessoas participaram esta sexta-feira no protesto simbólico que a Comissão de Utentes da Via do Infante (A22) realizou à porta da Festa do Pontal, que assinala a reentrada política do PSD após as férias.

Com cartazes a dizer «Demissão do Governo PSD/CDS-PP», «Suspensão das portagens já» ou «Um ano a destruir o Algarve», os manifestantes envolveram-se numa troca acesa de palavras com apoiantes do PSD, que entravam para o recinto onde vai realizar-se o jantar e onde o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vai discursar.

«Isto é mais uma ação simbólica da comissão de utentes contra a introdução de portagens na Via do Infante. O primeiro-ministro irá dizer que tudo está bem, que o défice diminuiu, e que o país está a recuperar, mas não é isso que os algarvios sentem», disse aos jornalistas João Vasconcelos, um dos dirigentes da comissão.

O dirigente da estrutura que representa os utentes da antiga Autoestrada Sem Custos para o Utilizador (SCUT) do Algarve considerou que os algarvios sentem que «a vida está cada vez pior», que «os salários e os subsídios foram cortados», e sublinhou que demorou duas horas pela Estrada Nacional 125 (EN125) desde Portimão até Quarteira.

«É um sufoco. Vimos vários acidentes e este é o quotidiano das pessoas cá. Iremos continuar a protestar até à abolição das portagens», garantiu.

João Vasconcelos disse já não ter esperança de conseguir apresentar pessoalmente os seus argumentos ao primeiro-ministro, porque, disse, já fez várias tentativas de entregar documentos a Pedro Passos Coelho, e de falar com ele, mas sem sucesso.

«Esperamos que tenha uma palavra para as pessoas que sofrem, para os desempregados - porque provocou milhares de desempregados - e para os cortes de subsídios, de salários, para a catástrofe que as portagens foram para o Algarve, e para os acidentes que todos os dias se veem na EN125», afirmou.

Por tudo isto, João Vasconcelos pede ao Governo liderado por Pedro Passos Coelho que se demita e dê lugar a um novo executivo «que tome como primeira medida a abolição destas portagens».

Questionado sobre se temia algum tipo de confronto com os apoiantes do PSD à entrada do recinto, João Vasconcelos respondeu que o protesto é «pacífico» e que espera a mesma atitude do outro lado.