O presidente da Associação dos Amigos dos Queimados (AAQ) reivindicou esta sexta-feira, em Coimbra, a integração de queimados nas doenças crónicas e a criação de uma unidade de queimados para crianças.

«Os queimados não são integrados nas doenças crónicas e efetivamente são doentes crónicos, porque não há possibilidade de apagar a lesão que a queimadura criou», observou Celso Cruzeiro, presidente da AAQ, defendendo que os doentes queimados devem «ter as regalias dos doentes crónicos».

Celso Cruzeiro alertou também para a inexistência, em Portugal, «de uma unidade de queimados criada especificamente para crianças» e para a não comparticipação de cremes que estes doentes têm que usar.

«Há uma série de obstáculos com os quais temos que lutar», disse o presidente da AAQ, sublinhando que a associação tem «de se valer de espetáculos de solidariedade e outras iniciativas para angariar algumas receitas» para as suas atividades.

Na terça-feira, a AAQ promove um concerto de solidariedade de Sérgio Godinho no Teatro Académico Gil Vicente, através do qual pretende angariar fundos para realizar, entre outras atividades, o campo de férias para crianças e adultos queimados.

O campo de férias de adultos realizou-se pela primeira vez este ano, tendo decorrido no início de junho nas Termas de Monfortinho.

Já o campo de férias para crianças é um projeto que a associação promove «há 14 anos», onde se trabalha «do ponto de vista físico e psicológico» e se preparam os jovens «para a reinserção social».

«É um campo de férias normal, mas em que os programas funcionam para os libertar do estigma», explicou Celso Cruzeiro, considerando que o grande desafio tem a ver com o estigma em torno das suas queimaduras.

No campo de férias, «sentem-se iguais aos outros».

«Não há diferença. Sentem-se livres e não se importam de mostrar as queimaduras», sublinhou.