A organização do Festival DocLisboa anunciou que Mohammad Rasoulof foi impedido de deixar o Irão para viajar até Lisboa, onde iria participar no certame que começa no dia 24, como presidente do júri.

«Mohammad Rasoulof está impedido de deixar o Irão e não estará presente no Doclisboa`13», para o qual fora convidado para presidir ao júri da Competição Internacional da 11.ª edição do Festival, lê-se num comunicado da organização enviado à Lusa.

«O realizador iraniano regressou ao Irão há 10 dias e desde então tem o seu passaporte confiscado. As autoridades recusam-se a deixá-lo sair do país e não está autorizado a viajar até nova ordem, nem a participar em festivais para apresentar o seu filme mais recente Manuscripts don`t Burn», lê-se no mesmo comunicado.

A organização do Doclisboa decidiu «deixar o lugar de Mohammad Rasoulof como presidente do júri vazio, como um ato de apoio e solidariedade com o cineasta iraniano» e «considera inaceitável que ele seja impedido de sair do país».

O DocLisboa afirma ainda que «irá contribuir, de todas as formas possíveis, para tornar claro que Rasoulof está a ser retido contra a sua vontade e impedido de exercer o seu trabalho como realizador e cineasta».

«O Doclisboa declara a sua solidariedade com Mohammad Rasoulof e espera que as autoridades iranianas respeitem os seus direitos civis e humanos, repudiando um regime que desrespeita a liberdade de expressão e de criação artística», é afirmado no documento.

«Queremos declarar que não vemos o trabalho de Mohammad Rasoulof como um panfleto de denúncia da opressão no Irão, mas sim como um retrato muito humano e sensível duma sociedade estruturada no medo e no secretismo», sublinha o Doc Lisboa.

A sessão de encerramento da 11.ª edição do Doclisboa, no dia 02 de novembro, irá exibir «Manuscripts don`t Burn», de Rasouldof, um «filme conta a história de um autor iraniano que consegue escrever em segredo as suas memórias como preso político».

O realizador iraniano também não esteve presente na terça-feira passada, na estreia alemã do seu filme no Festival de Hamburgo.

Mohammad Rasoulof está também impedido de receber um prémio de carreira no próximo dia 08 no Nuremberg International Human Rights Film Festival, também na Alemanha.