O diretor regional das Florestas e da Conservação da Natureza, Rocha da Silva, indicou hoje que muitas das mortes ocorridas em trilhos e levadas da Madeira acontecem devido a «comportamentos individuais e em percursos não recomendados».

Rocha da Silva comentava, assim, à agência Lusa, o caso do casal alemão que faleceu quarta-feira, alegadamente vítima de uma queda, quando caminhava na levada/trilho que liga os sítios das Babosas e do Bom Sucesso, no que representou as duas primeiras vítimas mortais deste ano.

«Esta levada não está integrada nos 30 percursos recomendados e que constam dos sites da Direção Regional de Florestas e da Conservação da Natureza e que são replicados nos sites da Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes e do Serviço Regional de Proteção Civil», salientou.

Rocha da Silva recordou, no entanto, que «a Madeira tem milhares de servidões de transporte de água» cuja competência «é de responsabilidade municipal», frisando que a placa indicando a levada das Babosas «é da Câmara Municipal do Funchal».

«As pessoas caiem não é só porque vão a caminhar, muitas vezes tem a ver com determinadas atitudes e comportamentos individuais porque decidiram ou tirar uma foto, ou apanhar uma flor ou um galho de árvore sem atenderem aos cuidados de segurança», explicou.

Rocha da Silva recordou alguns casos como uma senhora que ia num grupo e que «resolveu se atrasar e colocar-se à beira de um barranco para fazer xixi, outra que, a meio de um grupo, resolveu tirar uma foto a uma flor que lhe chamou a atenção, voltou-se e lá foi por lá abaixo porque pôs o pé onde não devia».

Lembrou ainda o caso de uma outra rapariga que «ao caminhar na levada dos Piornais, foi vista por pessoas que iam no outro lado, a subir a uma rocha e a se esticar para apanhar uma flor, fugiu-lhe os pés e caiu».

O responsável apontou ainda o caso de uma madeirense que "ao fazer uma caminhada, resolveu subir a uma rocha, desequilibrou-se e caiu».

«Tanto quanto eu sei, são poucos os casos que tenham acontecido pelo simples andar, acontecem mais devido a atitudes individuais», afiançou.

Rocha da Silva disse não se lembrar da apresentação de qualquer ação judicial contra a Região movida por familiares das vítimas, mas recordou que «há uns anos, o Ministério Público alemão esteve a investigar a morte de uma turista que morreu ao cair da levada do Rabaçal, o casal tinha casado há seis meses e, logo que o marido chegou à Alemanha, a primeira coisa que fez foi reivindicar o seguro da mulher, facto que despertou suspeitas às autoridades alemãs».

Rocha da Silva revelou que o Governo Regional, numa auscultação junto de responsáveis do setor de turismo, resolveu investir (nos últimos 12 anos cerca de 8 milhões de euros) e estabelecer um «pacote» de 30 percursos pedestres recomendados com instruções em português e em inglês sobre o grau de dificuldade dos mesmos, distâncias, o tempo a percorrer, recomendações, indicações que podem ser lidas logo à entrada dos percursos ou nos sites oficias.

Sempre que um destes percursos é objeto de obras é logo anunciado que não se encontra transitável e quando as reparações estão concluídas é também revelado que já está transitável.

No sábado, uma equipa de resgate dos bombeiros Municipais e Voluntários e da Policia de Segurança Pública retirou, sem vida, da escarpa da levada Babosas - Bom Sucesso, os corpos de um casal alemão que tinha sido dado como desaparecido desde quarta-feira, altura em que informaram a receção da unidade hoteleira onde estavam hospedados que iam dar um passeio ao Monte.

Os corpos foram encaminhados para o Instituto de Medicina Legal para respetiva autópsia e, após os trâmites legais, serão entregues aos familiares.