As entrevistas do psiquiatra norte-americano Leon Goldensohn aos nazis julgados, em Nuremberga em 1946, foram publicadas em Portugal pela primeira vez. Revelam não só o passado mas também o que «terá motivado» os crimes dos nacional-socialistas contra a humanidade.

Leon Goldensohn (1911-1960), formado em medicina e especializado em psiquiatria nasceu e estudou em Nova Iorque, e alistou-se para combater na Europa. Encontrava-se destacado no Hospital Geral de Nuremberga, no final do conflito, quando foi chamado para prestar serviço como psiquiatra da prisão onde se encontravam detidos os líderes nazis, julgados durante o primeiro semestre de 1946.

Refere-se aos encontros com a segunda figura do regime nazi, comandante-em-chefe da Força Aérea, presidente do Reichstag (Parlamento).

Durante as entrevistas, Herman Goering recorda o irmão Albert e a I Guerra Mundial. Refere ainda o Tratado de Versailles como causa do nacional-socialismo. Demora-se nos elogios a Adolf Hitler justificando que o ódio contra os judeus fica a dever-se à «má influência» do ministro da Propaganda, Joseph Goebbels.

As entrevistas de Goldensohn aos protagonistas do nazismo julgados em Nuremberga, incluem as de Rudolf Hess, tenente coronel das SS e comandante do campo de Auschwitz na Polónia.

Destacam-se também as entrevistas a Wilhelm Frick, ministro do Interior; Julius Streicher, editor do jornal antissemita Der Sturmer; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Joachim von Ribbentrop; o marechal de campo Wilhelm Keitel; e o austríaco Ernest Kaltenbrunner, do Departamento Central de Segurança. Todos condenados à morte.

O livro «Entrevistas de Nuremberga» foi editado pela Tinta da China. Inclui ainda um enquadramento do historiador Robert Gellately sobre a criação e funcionamento do tribunal internacional que julgou os criminosos do nacional-socialismo, em Nuremberga, no final da II Guerra Mundial.