A Cáritas apelou esta sexta-feira ao Governo, na véspera do fim do programa de ajustamento da troika em Portugal, para que as medidas previstas para o futuro sejam justamente distribuídas e excluam novos cortes nas pensões.

Num comunicado divulgado em Bruxelas, a Cáritas Europa e a sua congénere portuguesa recomendam ao executivo que, no pós-troika, «assegure que os custos da austeridade são justa e equitativamente distribuídos pela sociedade», sublinhando que «os grupos sociais mais ricos e abastados não devem ser excluídos».

Para as duas Cáritas, na saída do programa de ajustamento deve ser ainda assegurado que as novas medidas «não devem introduzir quaisquer cortes nas pensões nem ter impacto negativo no mercado de trabalho».

Ainda sobre o mercado de trabalho, o comunicado lembra que Portugal é um dos países onde se verificou uma maior subida do desemprego, desde o início da crise, a par da Grécia, Espanha, Itália e Irlanda.

«O facto de o desemprego em Portugal se estar a tornar cada vez mais estrutural (estando metade dos desempregados nessa situação há mais de um ano) faz questionar se o país está realmente de volta ao caminho para uma economia sustentável e geradora de crescimento económico».

A Cáritas Europa é uma rede de 49 congéneres nacionais de 46 países europeus, incluindo Portugal, onde a organização inclui 20 escritórios diocesanos e grupos locais.