O secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, disse hoje aos jornalistas que o administrador da RTP «já está a mais na empresa» e que não tem «moral» para afirmar que na televisão pública «há gente que não faz puto».

«O administrador da RTP já está a mais na empresa. Quem ¿não faz puto¿ ou está a fazer aquilo que não deve fazer é o administrador da RTP. Portanto, é ele quem tem de sair e não os trabalhadores. Antes de ser administrador já lá estavam os trabalhadores», disse o secretário-geral da CGTP-IN à margem da manifestação da central sindical que decorreu hoje em Lisboa.

«O presidente do conselho de administração da RTP não tem moral nem conhecimentos em relação a esta matéria para afirmar aquilo que afirmou e, se há alguém que está a mais da RTP ou na Antena 1, não são, com certeza, os trabalhadores. Quem está a mais é o administrador e nós sabemos quem é que lá pôs este administrador na RTP. Todos nós sabemos. O patrono já foi embora, se calhar é altura também de o súbdito seguir o mesmo caminho», disse Arménio Carlos, referindo-se ao ex-ministro Miguel Relvas.

Para o secretário-geral da CGTP-IN, foram os «trabalhadores e as trabalhadoras» da RTP que, ao longo de dezenas de anos, «construíram, solidificaram e passaram uma imagem construtiva do serviço público» que neste momento a empresa presta.

«Se esse serviço público tem de ser melhorado, então que se melhore. Agora, pôr em causa a idoneidade e a capacidade profissional das pessoas é grave», acrescentou Arménio Carlos.

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Alberto da Ponte, presidente do conselho de administração da RTP, disse que é necessário cortar nos custos nem que seja através de um despedimento coletivo e garantiu que há gente na empresa «que não faz puto».

«Continuo a ver na RTP profissionais que trabalham 13 a 14 horas por dia e continua a ver na RTP profissionais que não trabalham puto», disse Alberto da Ponte, acrescentando que «isso é uma situação que tem de ser corrigida e vai ser corrigida através de uma avaliação que vai ser feita».

O presidente da estação pública adiantou que a RTP vai ter 204 milhões de euros para gastar e que o aumento da Contribuição para o Audiovisual permitiu arrecadar mais de 27 milhões de euros, que mitigaram a perda de 45 milhões na indemnização compensatória.

Alberto da Ponte explicou que os 204 milhões de euros disponíveis este ano vão ser gastos no reforço da qualidade da grelha e em investimentos, designadamente nas regiões autónomas.

O presidente da estação acrescentou que, para 2014, a expectativa de custos é de 180 milhões de euros, o que corresponde a um decréscimo de 12% face a 2013.

Questionado sobre quantas pessoas já saíram da RTP no âmbito do processo de redução de custos, Alberto da Ponte avançou cifrarem-se entre as 230/240, mas acrescentou ser necessário aumentar esse número.

Sobre as alternativas que tem para reduzir o quadro de pessoal, o administrador disse que «há sempre a renegociação de regalias, à semelhança do que acontece noutras empresas».

«Se não conseguirmos reduzir nesses custos, sacrificaremos os custos de grelha. E sacrificando os custos de grelha, sacrificaremos a nossa oferta para os portugueses», referiu.