Por: Redacção / Carlos Enes | 5- 6- 2010 13: 1
O juiz dos grandes processos de corrupção em Portugal queixa-se de interferências externas na própria esfera de competências.
Carlos
Alexandre, que tem a cargo processos como Freeport, furacão, Portucale e submarinos fez essa denúncia à MEDEL - a associação
europeia de magistrados, que fez uma auditoria à Justiça portuguesa.
Segundo o relatório da organização a que a TVI
teve acesso, essas interferências aconteceram em casos de grande relevância política e mediática.
«O único juiz com
competência para os processos de corrupção, terrorismo e outros crimes de excepcional relevância, referiu algumas interferências
pontuais nas suas actividades judiciais, em casos com relevância política e mediática, susceptíveis de gerar inquietação»,
lê-se no relatório da MEDEL.
Os magistrados da MEDEL realizaram durante uma semana entrevistas a vários juízes e
procuradores e referem que apenas Carlos Alexandre apresentou este tipo de queixas.
Mas vários magistrados se queixaram
de que o conselho superior de magistratura, cuja maioria de membros é nomeada pelo poder político, exerce pressão sobre os
juízes.
Quanto ao combate à corrupção, o relatório refere a necessidade de aumentar os crimes, como o delito urbanístico,
e os meios de prova.
É o caso das gravações audio e vídeo, legais em muitos países mas proibidas em Portugal, uma
queixa que o próprio juiz Carlos Alexandre já fez em público.
Os auditores parecem espantados por «não se recorrer
ao princípio da proporcionalidade entre a gravidade do uso de uma prova ilegal e a gravidade do crime».
O relatório,
que vai ser apresentado para a semana, refere ainda que a polícia judiciária não tem meios suficientes para o combate ao crime
e que o ministério público nem sequer dispõe de orçamento próprio, o que limita a sua independência.
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