Comerciantes do centro histórico da vila de Sintra e alguns turistas lamentaram hoje o cenário «desolador» e o «cheiro insuportável» provocado pelo lixo espalhado junto aos contentores, devido à greve na empresa municipal de Higiene Pública.

Com vista para uma zona de contentores a abarrotar e outro tanto lixo espalhado no chão, Lucília Simplício, responsável por uma ourivesaria, considerou «inadmissível» o estado em que se encontra o local.

«Uns lutam pelos seus direitos e outros é que sofrem. Isto dá uma péssima imagem da vila para o turismo. A Câmara de Sintra deveria fazer alguma coisa para minimizar esta situação», afirmou.

O responsável de uma vizinha loja de artesanato, António Fernandes, reforçou aquela opinião e manifestou-se contra a proximidade daquele ponto de contentores.

«Já várias vezes pedi à câmara que retirasse aqueles contentores , porque estão localizados junto ao posto de turismo, junto à igreja de São Martinho, e têm sempre um cheiro desagradável», disse.

Caminhando pelo centro histórico da vila de Sintra, verificam-se situações semelhantes no Largo Ferreira de Castro e diante do Hotel Sintra Jardim.

Juan e Susana, turistas espanhóis, admitiram à Lusa que o cenário «não é bonito».

«Realmente, não é bonito e cheira um pouco mal, mas a vila é linda e estamos atentos a isso», disseram.

Também Jason e Emma, que vieram de Inglaterra visitar Sintra pela primeira vez, mostraram-se «encantados» com a vila, mas não deixaram de reparar no lixo espalhado.

«Já tínhamos comentado que não deveria ser normal e que se deveria passar alguma coisa. É verdade que era melhor que isto não estivesse assim, mas estamos a adorar Sintra», frisaram.

A Câmara de Sintra comunicou hoje que, desde o início da manhã, está a instalar contentores de obras para depósito de lixo, com o objetivo de minimizar os problemas de higiene urbana.

«Desta forma, a autarquia cria condições para que os munícipes que não consigam manter o lixo nas suas habitações/estabelecimentos possam depositar o lixo naqueles contentores», informou a autarquia.

No total, estão a ser colocados 11 contentores nas zonas afetadas pela greve, de maior densidade populacional e de circulação de pessoas, nomeadamente em Algueirão-Mem Martins, Rio de Mouro, vila de Sintra, Belas e Casal de Cambra.

Esta greve não abrange Massamá, Queluz, Monte Abraão, Cacém, Agualva, Mira Sintra e São Marcos.

A greve, convocada Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), prolonga-se até sexta-feira, com o objetivo de defender remunerações, direitos e postos de trabalho no processo de extinção da HPEM, empresa municipal da recolha de resíduos e limpeza urbana em Sintra.