Destinado a quem visita a capital portuguesa, o Lisboa Passport funciona como um diário de viagem para descobrir e recordar a cidade, permitindo colecionar carimbos nas atrações turistas, desde museus a monumentos, e proporcionando descontos.

Com as dimensões de um diário de bolso, o Lisboa Passport pretende ser “uma boa recordação e uma recordação dinâmica, em que as pessoas escrevam, carimbem, colem coisas” sobre as experiências vividas na capital, disse esta segunda-feira à agência Lusa o responsável pelo projeto, Nuno Martins.

Nas 32 páginas deste diário de viagem estão retratados “eventos importantes da história da cidade”, mas também existe um mapa de locais emblemáticos a visitar, em que é possível arrecadar carimbos, funcionando como um ‘rally paper’, numa forma de “turismo por objetivos”, explicou.

A ideia começou a ser desenvolvida em 2012, quando o informático Nuno Martins, de 45 anos, foi dispensado da empresa onde trabalhava há cerca de uma década, em Lisboa, e decidiu fazer uma viagem de "interrail" pela Europa, durante um mês, “para refletir o rumo que queria seguir à vida”, contou.

Após a viagem, o engenheiro informático sentiu a falta de “um registo de tudo o que tinha feito”, uma recordação de todos os sítios que tinha visitado.

Inspirado no passaporte da Expo’98, que permitia aos visitantes da Exposição Mundial de Lisboa de 1998 recolherem carimbos em cada pavilhão que visitavam, decidiu “adaptar a ideia à cidade inteira”.

“Passámos meses a investigar o que é podia ser o Lisboa Passport, porque não queríamos que fosse um livro cheio de páginas brancas para as pessoas carimbarem”, referiu o responsável pelo projeto, explicando que quem folheia este diário “está a navegar pela história da cidade” com padrões alusivos a símbolos tradicionais como a sardinha e o fado.

Através do programa Lisboa Empreende da Câmara Municipal, o informático conseguiu ter apoio institucional para avançar. Em junho de 2015, o Lisboa Passport foi lançado no mercado, “inicialmente com 18 entidades, desde museus e monumentos até lojas de rua situadas em locais que as pessoas visitam” e onde é possível receber um carimbo.

“Caprichamos muito a fazer cada carimbo”, disse Nuno Martins, considerando que cada um é “uma pequena peça de arte”.

O Castelo de São Jorge, o bairro de Alfama, a rua Augusta, o elétrico 28, o Rossio, o Chiado, as Ruínas do Convento da Igreja do Carmo, o Bairro Alto, a Avenida da Liberdade, o Príncipe Real, o Museu Calouste Gulbenkian, o Museu do Oriente, o Padrão dos Descobrimentos, o Museu Coleção Berardo, a zona de Belém, o Museu do Fado, a Sé de Lisboa, os Pastéis de Belém e o Museu do Campo Pequeno são os locais onde é possível receber um carimbo, mas o projeto vai integrar, em breve, mais sítios da cidade de Lisboa, esclareceu.

De acordo com Nuno Martins, este produto foi “feito muito a pensar nos turistas, estrangeiros e portugueses, todos os que não vivem em Lisboa e querem visitar” a cidade, esclarecendo que também pode ajudar os lisboetas a olharem de forma diferente para o património existente.

Este diário de viagem tem suscitado o interesse de escolas e de campos de férias, que acreditam que a dinâmica do colecionismo de carimbos pode estimular a aprendizagem das crianças, mas também existem “universidades a comprar para os estudantes de intercâmbio”.

O Lisboa Passport tem o custo de seis euros e proporciona descontos em cerca de 30 entidades, desde restaurantes a empresas de "tuk tuk".

“Estamos a vender algumas centenas por mês”, afirmou o responsável, frisando que o objetivo é “vender muito mais”, uma vez que o produto só vai ser apresentado oficialmente à imprensa em fevereiro deste ano.