O jardim Zoológico de Lisboa divulgou imagens do nascimento dos seus mais dois recentes habitantes. São duas crias de Tigre-da-Sibéria, uma de sexo feminino e outra masculino. Nasceram no dia 20 de maio e as imagens do parto foram as primeiras captadas no zoo da capital.

As duas novas crias foram apresentadas esta quarta-feira para a comemoração do Dia Mundial do Animal. Para o Jardim Zoológico de Lisboa, esta é não só uma forma de celebrar a participação na reprodução das espécies ameaçadas, mas também sensibilizar os eventuais visitantes para a extinção dos Tigres-da-Sibéria.

Numa nota enviada às redações, o Jardim Zoológico de Lisboa explica que as crias nasceram depois de uma gestação de cerca de três meses e meio. Câmaras de filmar foram previamente colocadas na instalação, tanto interior como exterior, o que permitiu acompanhar à distância a última fase de gestação da fêmea bem como o desenvolvimento das crias.

"Para promover o bem-estar da progenitora, diferentes abrigos foram construídos na instalação. A fêmea teve assim a oportunidade de optar pelo local onde iria ter as crias. Os pequenos tigres, agora com pouco mais de quatro meses, vão ser amamentados até aos seis e acompanhados pela progenitora, durante dois a três anos, que as vai ensinar a sobreviver", lê-se na mesma nota.

O curador de mamíferos, José Dias Ferreira, explicou à agência Lusa que o Jardim Zoológico construiu propositadamente quatro ninhos para o dia do nascimento das crias, cada um com uma câmara. O objetivo era de seguir o parto e verificar se corria tudo bem com os bebés e com a progenitora.

Através de uma parede de madeira e vidro colocada no local das instalações das crias, os bebés não conseguiam perceber que havia visitantes, que conseguiram assim visualizar a progenitora a amamentar as crias.

O Jardim Zoológico de Lisboa foi o único da Europa que isolou totalmente as instalações dos Tigres-da-Sibéria dos visitantes, porque a progenitora “é um animal mais sensível”.

De acordo com José Dias Ferreira, o Jardim Zoológico de Londres considerou a progenitora de Lisboa como uma “das fêmeas mais importantes do programa de reprodução”. Segundo explicou, “é um animal que tem pouca representação genética no programa" e foi mãe pela primeira vez este ano.

A mãe tem o nome de Bela, nasceu na Escócia e tem oito anos, enquanto o pai das crias tem 11 anos e chama-se Kia.

O pai está numa instalação separada para que a fêmea consiga estar sozinha com as crias e tenha a instalação toda para ela. A ideia é dar a máxima privacidade à fêmea.

À espera de serem "batizadas"

Apresentadas as novas crias, falta agora algo essencial: os dois pequenos tigres precisam de um nome. A pretexto do Dia Mundial do Animal, nada melhor do que lançar um repto ao público para que ajude a escolher um de três conjuntos de nomes.

O Jardim Zoológico disponibiliza no seu site, uma votação conjunta para se dar nome a estes novos pequenos tigres. Shilka (fêmea) e Argun (macho); Zeya (fêmea) e Huma (macho); Songhua (fêmea) e Ussuri (macho), são nomes de rios existentes no habitat natural desta espécie.

A votação está a cargo dos visitantes do site do zoo. Está disponível a partir desta quarta-feira e tem a duração de um mês.

Espécie em perigo

O Tigre-da-Sibéria é espécie classificada “em perigo” pela União Internacional para Conservação da Natureza.

No site do Jardim Zoológico de Lisboa, pode ler-se que os tigres-da-sibéria são originários dos vales com encostas rochosas na bacia do rio Amur, localizado na fronteira entre a Rússia e a China, e constituem a subespécie de tigre de maior dimensão. Embora os machos adultos sejam, por norma, mais corpulentos do que as fêmeas, não existe dimorfismo sexual, o que dificulta a diferenciação de sexos numa fase inicial e/ou a “olho nu”. A pelagem é ocre, com riscas castanhas longitudinais, tornando-se mais densa e mais clara no inverno, adaptando-se ao frio e neve próprios do habitat natural.

Crias de tigre-da-sibéria nascidas no zoo de Lisboa (Foto: Jardim Zoológico de Lisboa)

Muitos são os esforços que têm sido dedicados à conservação do Tigre-da-Sibéria. Ameaçados pela caça para o comércio de peles, pelo tráfico de órgãos para a medicina tradicional chinesa, pela perseguição por parte da população local para proteção do gado doméstico e pelas consequências do desenvolvimento das áreas agrícolas e urbanas, esta subespécie viu-se reduzida a entre 20 a 30 animais em 1940.

Com o apoio de jardins zoológicos, parques e reservas da vida selvagem, estima-se que existem cerca de 400 tigres-da-Sibéria em áreas protegidas. O Jardim Zoológico de Lisboa realizou, em 1997, a primeira inseminação artificial bem-sucedida na Europa.