O homem que estava acusado de ter matado em maio do ano passado a mulher numa clínica dentária da rua Augusta, em Lisboa, e que confessou em tribunal a autoria do homicídio, foi condenado a 21 anos de prisão em cúmulo jurídico. 

Na sentença lida ao início da tarde, no Campus de Justiça, em Lisboa, o tribunal provou também que a vítima foi maltrada em vida e que a pena serve também para reprimir o fenómeno da violência doméstica que está a crescer em Portugal.

«O arguido atuou com culpa muito elevada e nada justificaria a forma como agiu, com frieza. Retirou, de uma forma brutal e com grande violência, a vida à vítima», sustentou o presidente do coletivo de juízes, Nuno Salpico.

O juiz acrescentou que o arguido, durante meses, infligiu maus tratos à sua mulher, a nível físico e psicológico, com ameaças e injúrias, num contexto de divórcio.

O presidente do coletivo de juízes defendeu que os tribunais devem punir com firmeza este tipo de comportamentos.

«O índice de mortalidade no contexto de violência doméstica estar a crescer no nosso país. Os tribunais têm de reprimir com muita determinação este tipo de crimes», sublinhou.

A advogada do arguido disse à saída do Campus da Justiça que a pena aplicada era a «expectável», admitindo vir a recorrer da decisão.

«O arguido e a sua defesa já estavam à espera desta pena, que está dentro dos limites expectáveis. O arguido confessou o crime e já estava preparado e ciente da decisão», afirmou Eugénia Ferreira aos jornalistas, acrescentando que ainda não sabe se vai recorrer.

O homem foi condenado a 20 anos pelo crime de homicídio qualificado e três anos pelo crime de violência doméstica e também à pena de expulsão do país.  O arguido foi ainda condenado a pagar 80 mil euros de indemnização à família da vítima.

Marcos Camargo, de 40 anos, estava acusado dos crimes de violência doméstica e de homicídio qualificado da mulher Luana Camargo, de 28 anos, com quem partilhava a gestão de uma clínica dentária em Lisboa.