O advogado do ex-ministro Armando Vara, arguido no processo Face Oculta, concluiu esta quinta-feira as suas alegações finais, manifestando «grande confiança» de que o tribunal vai absolver o seu cliente, que responde por três crimes de tráfico de influência.

«Saio daqui profundamente convencido que o meu constituinte é inocente e que não há maneira nenhuma de o tribunal não poder considerar essa inocência», disse aos jornalistas o advogado Tiago Rodrigues Bastos, à saída da sala de audiências, no tribunal de Aveiro.

Ao longo de mais de seis horas, divididas por dois dias, o defensor do antigo ministro e ex-administrador do BCP procurou convencer o coletivo de juízes de que a acusação «não tem qualquer tipo de razoabilidade» e que «não há nenhuma ilicitude que seja possível de apontar a Armando Vara».

O advogado reafirmou que o seu cliente não recebeu 25 mil euros do sucateiro Manuel Godinho, como compensação pelas diligências por si empreendidas e a empreender em favor das suas empresas, tal como sustenta o Ministério Público (MP).

«A acusação não tem a mais pálida evidência de que isso alguma vez tenha ocorrido», afirmou o causídico, adiantando que «Armando Vara nunca pediu um tostão que fosse a Manuel Godinho e nunca recebeu de Manuel Godinho um tostão que fosse para o que quer que fosse».

Tiago Rodrigues Bastos contrariou ainda a tese do MP sobre a suposta influência exercida por Armando Vara junto do então ministro das Obras Públicas Mário Lino para destituir a então secretária de Estado Ana Paula Vitorino e o então presidente do Conselho de Administração da REFER, Luís Pardal.

«Não há nenhuma conversa em que Armando Vara ou Lopes Barreira refiram o que quer que seja, relativamente a nenhuma influência sobre Mário Lino ou quem quer que seja, para fazer o que quer que seja», afirmou.

O advogado não terminou as suas alegações sem falar na famosa lista de prendas de Natal entregues por Manuel Godinho, salientando que nenhum dos presentes alegadamente oferecidos ao seu cliente foi encontrado nas buscas a casa de Armando Vara.

Da parte da tarde tiveram lugar as alegações da advogada de Namércio Cunha, que pediu a absolvição do arguido e o levantamento do arresto da sua casa, defendendo que os crimes de que está acusado «não têm qualquer correspondência com a realidade dos factos praticados».

Namércio Cunha está acusado de associação criminosa e corrupção, mas, inicialmente, estava indiciado por seis crimes, suspeitando-se da sua «grande envolvência» na alegada associação criminosa liderada por Manuel Godinho, na qual ele seria o número dois.