O diretor de obra da Novopca, empresa responsável pela construção do viaduto da A15, criticou esta sexta-feira as conclusões de um relatório do LNEC e apontou a «debilidade» do cimbre como uma das causas do acidente que vitimou quatro operários.

Arguido no caso do viaduto da A15, onde em 2001 o colapso de um provocou a morte de quatro operários e ferimentos em outros 12, Mário Frazão da Cunha, engenheiro da construtora Novopca, discordou de um relatório efetuado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) após ao acidente.

O relatório, a que a Lusa teve acesso, conclui que «as duas anomalias mais prováveis de terem ocorrido» e que poderão ter causado o colapso do viaduto foram «um assentamento diferencial da fundação excedendo a capacidade de redistribuição do cimbre» (estrutura metálica que suporta o tabuleiro durante a construção) e «uma deficiência localizada nos elementos do cimbre ou na sua montagem».

O então diretor de obra apontou esta sexta-feira ao tribunal «várias discordâncias» em relação às conclusões do LNEC e apontou como causa da queda do viaduto, quando se procedia à sua betonagem, «a instabilidade de uma das vigas» e eventuais «debilidades na estrutura do cimbre».

Apesar de a adjudicação do cimbre ter sido feita pela Novopca à empresa Mecanotubo, o responsável admitiu que esta «não tinha alvará de construção» e denunciou alegados erros de cálculo no projeto que poderão ter resultado numa diminuição da capacidade de carga que a estrutura deveria aguentar.

Mário Frazão da Cunha foi o último dos quatro arguidos a depor perante o juiz, já que os restantes seis arguidos não manifestaram intenção de testemunhar sobre os factos de que são acusados, ou seja, do crime de infração das regras de construção.

O julgamento está a ser repetido no Tribunal das Caldas da Rainha depois de o Tribunal da Relação ter anulado a condenação dos arguidos (a penas entre os dois e os cinco anos, suspensas por igual período) devido a irregularidades no processo.

O coletivo de juízes foi durante a sessão desta sexta-feira assessorado por um perito do Instituto Superior Técnico e o julgamento será retomado no dia 24 com a audição de mais uma testemunha.