O Tribunal Judicial de Braga condenou, esta quinta-feira, a 22 anos de prisão um homem que regou a mulher com álcool e lhe pegou fogo, provocando-lhe a morte. O arguido foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado e de violência doméstica. 

O crime ocorreu a 18 de agosto de 2014, no prédio onde o casal vivia, em Braga. A vítima, Adélia Ribeiro, de 50 anos e funcionária do Hospital de Braga, ficou com cerca de 30 por cento do corpo queimado, com queimaduras de 2.º e 3.º graus na cabeça, abdómen e braços,  tendo morrido 44 dias depois, no hospital.

A juíza presidente do coletivo sublinhou que a atuação do arguido foi "muito para além da maldade e da mesquinhez humana", enquadrando-a "no âmbito do diabólico".

O tribunal destacou também a "frieza afetiva", o "calculismo" e o "distanciamento emocional" revelados pelo arguido, que regou a mulher com quem esteve casado durante 32 anos, na presença da filha do casal.

O acórdão alude ainda o facto de, após cometer o crime, o arguido se ter sentado à mesa para "calmamente" tomar o pequeno-almoço.

Em tribunal, o arguido admitiu que agiu por ciúmes, por suspeitar que a mulher tinha um outro relacionamento, mas sublinhou que apenas lhe queria "queimar o cabelo" e, assim, "pregar-lhe um susto".

O tribunal deu ainda como provados episódios anteriores de violência doméstica, como facadas, murros e pancadas na cabeça da mulher.

Em defesa, o arguido alegou que o casal se agredia mutuamente e que algumas vezes foi ele que ficou ferido, adiantando que nunca apresentou queixa "por vergonha".

Após o sucedido, o nome de Adélia Ribeiro foi atribuído a uma rua da cidade de Braga, na sequência de um desafio lançado pelo jornal "i" aos vários municípios do país para homenagear as vítimas de violência doméstica.