Os idosos transmontanos têm sido alvos fáceis de burlas que envolvem produtos agrícolas ou objetos tradicionais de valor com promessas de grandes negócios que os deixam sem nada, revelaram esta quarta-feira as autoridades.

«Os mais velhos deixam-se facilmente enganar por propostas de estranhos para compra de cobres, caldeiras, potes ou produtos agrícolas a preços acima do mercado e acabam por ficar sem os bens e sem dinheiro», como revelou Cláudia Costa, da GNR de Bragança.

A militar faz parte de uma das equipas do programa da GNR para seniores que há cinco anos acompanham algumas centenas de idosos nesta região e alerta para as burlas, segundo disse, «tem havido bastantes, mas grande parte delas não são denunciadas às autoridades por vergonha e medo que as pessoas mais idosas têm».

A burla mais frequente, ultimamente foi com as novas notas de cinco euros e com a entrada em circulação de uma mais recente de dez euros, a Câmara de Macedo de Cavaleiros organizou hoje, em parceria com a GNR uma sessão para ensinar os idosos a defenderem-se de burlas e roubos.

O auditório do Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros encheu-se de idosos que as autoridades acreditam estão agora melhor preparados para se defenderem de eventuais burlões relativamente às notas em circulação.

Porém, no Nordeste Transmontano há outros contos do vigário em que os mais velhos caiem facilmente.

«Pensando que estão a fazer grandes negócios entregam os bens e não recebem nada em troca», como contou a guarda Cláudia Costa.

Um exemplo que apontou foi um caso de venda de azeite em que a burlada pensou estar fazer um grande negócio a vender o litro a sete euros, mas o indivíduo que lhe fez a falsa compra, carregou os garrafões no transporte e fugiu sem pagar um tostão.

«Estamos a falar de uma zona muito humilde, onde as pessoas são muito simples com pouca formação, são muito acolhedoras e não deitam maldade às coisas», observou.

Ana Mirandês, com 64 anos, vive na cidade de Macedo de Cavaleiros, e já foi vítima dos burlões, há alguns anos, quando ficou sem 300 euros num esquema que envolvia listas telefónicas.

Como contou à Lusa, telefonaram-lhe para casa a pedir o pagamento de uma dívida de 750 euros. Acabou por passar três cheques pré-datados. Quando se apercebeu que tinha sido enganada pediu ao banco para cancelar os cheques, mas o da maior quantia já tinha sido sacado.

Garante que aprendeu, mas hoje não deixou de comparecer na ação de sensibilização para a segurança e vai colocar na porta do frigorífico o cartão com um íman que a GNR distribuiu a todos os presentes com um contacto permanente.

«É muito importante eles sentirem que têm ali um apoio e que têm alguém do outro aldo da linha a quem muito facilmente podem recorrer em situação de perigo ou até mesmo até numa situação de dúvida», considerou Helena Magalhães, vereadora da Cultura na Câmara de Macedo de Cavaleiros.

A segurança da população do concelho cada vez mais idosa é uma preocupação para o município, como afirmou, porque quando as pessoas «não estão alertadas para determinados perigos são vítimas fáceis de burlas e de situações que os podem lesar bastante».