Apenas três a quatro por cento da população prisional com problemas de toxicodependência é encaminhada para tratamento, disse à agência Lusa Miguel Lago, coordenador do projeto Alternative, que tem por objetivo encontrar alternativas à prisão para toxicodependentes.

Os dados foram debatidos esta quinta-feira, em Lisboa, num seminário em que o projeto Alternative, liderado pela Cruz Vermelha italiana, com a parceria da Cruz Vermelha Portuguesa, analisaram alternativas à prisão para toxicodependentes, segundo Miguel Lago.

O projeto Alternative, que também integra a Cruz Vermelha francesa, o grupo Abele, de Itália, e a organização não-governamental checa Sananin, visa promover a aplicação de medidas alternativas à prisão para toxicodependentes reclusos ou toxicodependentes com problemas com a justiça, disse Miguel Lago.

Facilitar o diálogo institucional, designadamente entre a área da saúde, da justiça e da reinserção, para que toxicodependentes possam ser enviados para tratamentos coercivos, é também um dos objetivos do projeto - um dos principais, no contexto do trabalho desenvolvidos -, que já está a ser posto em prática em Portugal, França, Itália e República Checa.

Em Portugal, o projeto Alternative está a trabalhar em dois estabelecimentos prisionais ¿ Sintra e Lisboa ¿, de modo a que seis reclusos usufruam da liberdade condicional, numa unidade de recuperação para toxicodependentes.

No estabelecimento prisional de Sintra, cinco reclusos estão abrangidos pelo projeto e, no de Lisboa, um, adiantou Miguel Lago à Lusa.

O coordenador do projeto Alternative acrescentou ainda que já foram feitos perto de 200 contactos e que se encontram a aguardar decisão de juízes de execução de penas para que possam trabalhar com mais casos, em Portugal.

Realizado no Refeitório dos Frades da Assembleia da República, o debate foi promovido pela Cruz Vermelha Portuguesa e pela Associação dos Ex-deputados da Assembleia da República (AEDAR).