Um militar da GNR do Destacamento de Trânsito de Torres Vedras está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) e foi constituído arguido por suspeitas de peculato por alegado desvio de dinheiro das multas, disse à Lusa fonte policial.

A Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ está a investigar o caso desde o final do ano, logo que uma auditoria interna efetuada no Destacamento de Trânsito de Torres Vedras levantou a suspeita.

Fonte policial disse à agência Lusa que o guarda ter-se-á alegadamente apropriado de dinheiro de multas entregue por outros colegas e pago pelos condutores no momento em que eram autuados.

Além disso, há ainda suspeita de beneficiar empresas de transporte, desviando autos de contraordenação, como a falta licença de transporte, renovação do disco do tacógrafo ou excesso de horas de condução, que deveriam ter sido remetidas à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres ou Autoridade para as Condições do Trabalho e não foram.

A PJ investigou pelo menos 16 autos de contraordenação, em que o esquema foi detetado, por alegadamente documentação de controlo interno ter sido eliminada na secção de autos daquele destacamento.

A mesma fonte adiantou que foram abertos processos disciplinares a 10 militares do destacamento, por precisamente não terem cumprido os procedimentos que facilitavam esse controlo interno das contraordenações aplicadas.

A investigação em curso permitiu já concluir que várias empresas terão sido beneficiadas, enquanto o militar terá tirado vantagem económica deste seu comportamento.

O militar está a ser alvo de um processo disciplinar interno.

Além de peculato, a PJ suspeita também dos crimes de corrupção e tráfico de influências.

Outros três militares daquele destacamento foram constituídos arguidos e são também suspeitos de corrupção, por alegadamente durante as operações de fiscalização receberem pessoalmente dinheiro de condutores para não aplicarem as contraordenações em que incorriam.