A Igreja dos Clérigos, no Porto, reabriu hoje ao público, após um ano em obras de remodelação, com museu, elevador, novos acessos, concertos de órgãos de tubos diários e, até domingo, visitas gratuitas.

O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, afirmou que os portuenses, portugueses e turistas vão ficar de «boca aberta» ao visitar o monumento renovado, dado o «belíssimo» trabalho realizado.

A cerimónia de inauguração contou com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que foi vaiado por mais de meia centena de manifestantes à entrada e à saída da igreja, não prestando declarações aos jornalistas.

Segundo o padre Américo Aguiar, as obras nos Clérigos não sofreram, para já, «derrapagens de prazo, nem de orçamento».

Durante o verão, as visitas à Igreja e Torre dos Clérigos, com 76 metros de altura e 240 degraus, aumentaram cerca de 20%, frisou.

Na opinião de padre Américo Aguiar, o monumento ganhou hoje, 235 anos depois da sua primeira inauguração, o mesmo “esplendor” de 1779 onde os «pretos e cinzentos» deram lugar aos «rosas, dourados e brancos».

«Os Clérigos têm agora a tradição e modernidade e a cultura e culto de mãos dadas», disse.

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, salientou que a Igreja e Torre dos Clérigos é o monumento «mais simbólico» do Porto.

Esta renovação é uma «ótima» notícia para o Porto e para o país porque é uma atração turística.

Até domingo, o templo estará aberto das 09:00 às 00:00 e as visitas serão gratuitas, havendo espetáculos de teatro, dança, música, canto e malabarismo.

As obras na igreja puseram a descoberto uma cripta do século XVIII com pelo menos dez sepulturas e o presidente da Irmandade dos Clérigos admite que uma delas seja do arquiteto Nicolau Nasoni, autor que há mais de 200 anos projetou o monumento.

O espaço intervencionado rondou os 4.500 metros quadrados, foram instalados 13 quilómetros de cabos elétricos e gastos 60 quilos de algodão, 140 mil folhas de ouro e 200 litros de álcool etílico.

O investimento total foi de 2,6 milhões de euros, comparticipados em 1,7 milhões pelo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), cabendo os restantes 800 mil euros à Irmandade dos Clérigos, com recurso a financiamento do programa Jessica.