A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins entende que foram "infelizes e manifestamente desadequadas" as declarações do secretário de Estado da Saúde, que ontem disse que é "um tormento" governar nas circunstâncias atuais, com vários protestos dos profissionais do setor. 

Ontem, quarta-feira, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, disse à agência Lusa que é "um tormento" governar nas atuais circunstâncias, em que os vários profissionais da área têm apresentado reivindicações e protestos, nomeadamente os enfermeiros. Catarina Martins reagiu hoje, durante uma viagem de comboio na Linha de Cascais, distrito de Lisboa, naquela que foi a primeira ação de campanha autárquica do dia.

São declarações infelizes e manifestamente desadequadas de quem deve estar é a negociar para cumprir promessas básicas que são até do programa do Governo"

Para a líder bloquista, "é uma reivindicação justíssima" aquela que os enfermeiros estão a fazer, considerando "que já devia estar resolvida".

E o apelo que nós fazemos é que o Ministério da Saúde leve estas negociações muito a sério".

Os enfermeiros exigem um aumento salarial de 400 euros mensais, o que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, já considerou "absolutamente incomportável" do ponto de vista orçamental. A tutela propõe, antes, um subsídio de 150 euros para os enfermeiros especialistas, o que corresponde a um gasto anual de 14,4 milhões de euros.

Voltando a Catarina Martins, defendeu ainda que a democracia "é a relação de forças e as pessoas estão a manifestar-se por aquilo que consideram ser os seus direitos".

Eu lembro que no caso da saúde, os enfermeiros em Portugal ganham menos do que qualquer outro licenciado. Não acontece isso com mais nenhuma profissão".

A líder bloquista considera que o Serviço Nacional de Saúde "precisa dos seus enfermeiros e das suas enfermeiras".

"Têm emigrado tantos quando nos fazem tanta falta, são dos mais bem formados da Europa, são daqueles cuja especialização é reconhecida em todos os países e por isso também têm emigrado. Temos de os reconhecer. Precisamos deles cá", pediu.