O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) assegurou esta quinta-feira que a actuação dos seus serviços e dos bombeiros foi «irrepreensível e inexcedível» no socorro à bebé que veio a falecer na madrugada de terça-feira, no hospital de Tomar, escreve a Lusa.

Divulgando o registo da cronologia da actuação do INEM desde o momento da chamada de socorro, o instituto sublinha o «profissionalismo extremo» do operador que recebeu a chamada de um vizinho da criança, negando uma demora de 40 minutos na prestação do socorro, como alega a família.

Ambulância accionada em sete minutos

De acordo com o registo sonoro do INEM, a chamada, recebida a partir de Curvaceiras, freguesia de Paialvo, Tomar, ocorreu perto das 00:16 de terça-feira, tendo a ambulância sido accionada cerca de sete minutos depois.

A informação era a de que uma criança de oito meses estava em convulsões e inconsciente, desconhecendo-se há quanto tempo estaria nessa situação, refere.

Segundo o INEM, o médico de serviço aprovou de imediato o envio de uma ambulância para o local, tendo sido accionada, por outro operador, a corporação de Bombeiros de Tomar, cidade que dista cerca de oito quilómetros da aldeia de Curvaceiras, com um tempo de deslocação previsto de oito a 10 minutos.

22 minutos em linha

O operador manteve-se em contacto durante quase 22 minutos, «sem nunca perder a calma e o controle da situação e adaptando o seu discurso às circunstâncias», acrescenta.

Segundo o relato do INEM, o operador desaconselhou o transporte da criança em carro particular para o hospital por não lhe poderem prestar os cuidados adequados, frisando que aos 21 minutos da chamada havia sinais de vida - «a criança mexia-se e tentava abrir os olhos».

Paragem cardio-respiratória

Quando os bombeiros chegaram, a criança aparentava estar em paragem cardio-respiratória, tendo iniciado de imediato manobras de reanimação, «para a qual têm formação, e que mantiveram durante todo o percurso até ao hospital».

Já no hospital, a criança foi imediatamente assistida na sala da reanimação, mas os esforços desenvolvidos pela equipa de urgência «infelizmente não tiveram sucesso».

«Descrito posteriormente o quadro a um pediatra, foi colocada a hipótese da eventual existência de uma malformação vascular congénita, que poderia ter originado uma hemorragia intra-craniana, provocando convulsões repetidas», afirma a nota do INEM.

Morte desconhecida

O Hospital de Tomar limita-se a confirmar que Lara Santos, com 10 meses, deu entrada no seu serviço de urgência às 00:48 de terça-feira, tendo sido desencadeado de imediato o procedimento de suporte avançado de vida, sem sucesso.

O óbito da criança foi declarado à 01:15, «tendo sido emitida certidão de óbito com causa de morte desconhecida» e desencadeados os procedimentos legais adequados, «ficando o cadáver à ordem do respectivo tribunal», afirma a nota do Hospital de Tomar.

O INEM esclarece ainda que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) mais próxima tem a sua base em Abrantes, a 23 quilómetros, com um percurso previsto até ao local de cerca de 23 a 25 minutos.

Para o INEM, não se justificaria o envio da VMER, «por ir atrasar a chegada ao local mais próximo com cuidados médicos e capacidade de intervenção terapêutica, o Hospital de Tomar».