O fundador do projeto «MiudosSegurosNa.Net», Tito de Morais, denunciou a inoperacionalidade do website «aquininguemtoca.org», desenhado como parte de uma campanha contra o abuso sexual de crianças, e pediu ao ministério da Solidariedade e Segurança Social que registe «ainda hoje o domínio», antes que alguma rede de pedofilia o faça.

Tito de Morais falava durante a mesa redonda «Exploração Sexual de Crianças e Jovens», no âmbito da conferência dos 25 anos da Convenção dos Direitos da Criança, organizada pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), que teve lugar esta segunda e terça-feira na Assembleia da República, onde falou sobre o problema da utilização da Internet para crimes contra crianças.

Durante a sua exposição, o especialista em riscos na Internet divulgou a campanha promovida pelo Conselho da Europa, que pede aos pais de todo o mundo que ensinem às suas crianças a regra «Aqui ninguém toca», que consiste em transmitir aos filhos que não devem deixar ninguém tocar nos seus órgãos genitais, nem fazê-lo a outros. A campanha de prevenção tem, desde agosto, uma versão em português, no entanto o website que lhe está associado (aquininguemtoca.org) não funciona.

Por estar associado à campanha e ter sido divulgado em cartazes, «flyers», além das plataformas digitais, e onde se «gastou dinheiro», o orador teme que este endereço possa vir a ser registado por terceiros, no pior dos casos, por alguém ligado a sites de pornografia infantil ou tráfico de menores.

«Se existem deputados ou deputadas na sala, peço que registem este domínio ainda hoje. (…) Se alguém ligado à pedofilia consegue o domínio vamos ter o efeito contrário ao desejado», disse.

Tito de Morais deixou, também, a recomendação de que as crianças devem ser educadas desde cedo para a problemática dos abusos sexuais, e defende a criação de uma disciplina que venha desde o pré-escolar até ao secundário, que ensine as crianças sobre estes crimes.

«[É necessária] uma lei que torne obrigatório o ensino sobre [o problema] dos abusos sexuais. (…) Porque muitas vezes os pais só falam destes temas quando os jovens já têm 16 anos, e já é tarde», defendeu o orador.

O especialista alertou, ainda, para a «nova forma» de abuso sexual que a internet veio facilitar. Tito de Morais diz que com as salas de chat, as chamadas de vídeo, a partilha de vídeos e fotografias, os abusos deixaram de ser um problema que requer a presença do menor junto do agressor.

«O toque hoje já não é só presencial. É o filmar, o fotografar e a partilha em sites de pedofilia. Mesmo as fotografias que são trocadas entre jovens namorados podem acabar num site desses».

Para travar o problema, o especialista quer que as empresas de tecnologia tenham um maior papel no combate a estes crimes.

«As empresas tecnológicas que nos fornecem o material para nós acedermos à internet devem fornecer mais ferramentas de proteção. Estas empresas têm de começar a pôr a carteira onde têm a boca», afirmou.