O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) elevou esta sexta-feira de manhã para vermelho o aviso de precipitação para as ilhas do grupo ocidental dos Açores devido à passagem do furacão “Helene”, neste fim de semana.

O aviso vermelho é o mais elevado dos avisos meteorológicos e representa uma situação meteorológica de risco extremo.

De acordo com um comunicado do IPMA, o aviso vermelho para as Flores e o Corvo referente a precipitação vai vigorar das 12:00 às 24:00 de sábado.

A meteorologista Vanda Costa, da delegação do IPMA nos Açores, explicou à agência Lusa que o nível de aviso foi elevado porque, segundo as novas previsões, é expectável que “ocorra mais precipitação no grupo Ocidental, já que está previsto que o centro da tempestade tropical possa passar mais próximo das ilhas” deste grupo.

No seu último comunicado, de quinta-feira à noite, o IPMA adiantava que a tempestade tropical “Helene” estava a deslocar-se para norte com uma velocidade de 30 quilómetros por hora, acrescentando que os mais recentes dados indicam um desvio da trajetória mais para leste do que o previsto no comunicado anterior.

Por isso, é provável (probabilidade entre 40% e 70%) que o centro da tempestade atravesse a zona entre os grupos Ocidental e Central, aumentando a intensidade do vento e a agitação marítima, sendo pouco provável (probabilidade entre 20% e 40%) que o centro da tempestade passe pelo grupo Oriental.

Foram ainda emitidos avisos laranja para as Flores e Corvo devido à agitação marítima e ao vento durante este fim de semana.

Para o grupo Central (Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial), o IPMA emitiu ainda avisos amarelo e laranja tendo em conta as previsões de chuva forte, vento e agitação marítima.

No grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), foram emitidos avisos amarelos por causa da chuva e vento.

O aviso laranja é o segundo mais grave de uma escala de quatro e indica situação meteorológica de risco moderado a elevado. O aviso amarelo, o terceiro mais grave, representa uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.

A tempestade tropical deverá tornar-se nas próximas 48 horas num ciclone extratropical.

Espera-se que, nas próximas 48 horas e coincidindo com a passagem pelo arquipélago, ocorra a transição para ciclone extratropical”, refere o IPMA.

É muito provável (probabilidade entre 60% e 90%) que as ilhas dos grupos Ocidental e Central comecem a sofrer os efeitos desta tempestade (com aumento gradual da intensidade do vento e agitação marítima e ocorrência de precipitação pontualmente forte) a partir das 06:00 (hora dos Açores) de sábado.

Meios de socorro de prevenção nos Açores 

 A Proteção Civil dos Açores vai reforçar hoje os meios humanos no grupo ocidental, enviando um dispositivo operacional e uma equipa da direcção regional de Saúde para as Flores e Corvo por causa da tempestade “Helene”.

Num comunicado enviado às redações, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) adianta ainda que "as diversas entidades com responsabilidade no âmbito da Proteção Civil estarão todas de prevenção a partir de sábado, nomeadamente os Serviços Municipais de Proteção Civil, as direções regionais das Obras Públicas e Comunicações, do Ambiente e da Saúde, assim como todas as 17 corporações de bombeiros da região".

O SRPCBA salienta que, “de acordo com a informação transmitida pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), esta situação não deverá causar alarmismo, desde que sejam tidas em conta as informações oficiais transmitidas pela Proteção Civil e pelo IPMA, bem como a adoção de medidas de autoproteção em caso de tempestade, tal como é recomendado pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores”.

Tempestade Helene poderá afetar continente sob a forma de agitação marítima

Os efeitos da tempestade tropical Helene, que deverá atravessar os Açores no sábado, poderão atingir o continente na segunda-feira, mas só sob a forma de agitação marítima, segundo a meteorologista Patrícia Gomes.

Podemos sentir alguns efeitos no dia 17, segunda-feira. Pode haver um aumento da agitação marítima na faixa costeira ocidental e na Madeira, mas com a informação que temos neste momento pode aumentar para os 3 ou 3,5 metros”, disse hoje à Lusa a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com Patrícia Gomes, a informação de que o IPMA dispunha cerca das 07:30 desta sexta-feira, é a de que os efeitos, a existirem, serão sob a forma de agitação marítima, ainda sem certezas de que poderá ser emitido aviso amarelo.

Normalmente emitimos aviso amarelo para agitação marítima para alturas superiores a 4 metros”, disse.

Segundo a meteorologista, só durante o fim de semana deverão existir mais pormenores sobre os eventuais efeitos da tempestade.

“Neste momento temos cinco perturbações tropicais no Atlântico: o Florence, que atingiu a costa leste dos Estados Unidos, a tempestade Joyce, a tempestade Isaac e a Helene, que baixou de categoria para tempestade tropical, e uma perturbação no Golfo do México que não irá evoluir para tempestade tropical. Estas perturbações tropicais no Atlântico acabam por dar alguma incerteza [nas previsões meteorológicas] até aos próprios modelos de escala global que funcionam muito bem, mas que quando existem estas perturbações já precisam de mais tempo para afinar”, disse.

A tempestade tropical Helene tem uma probabilidade estimada entre 40% e 70% de atravessar a zona entre os grupos ocidental e central do arquipélago dos Açores.

Em comunicado, o IPMA detalhou que a tempestade tropical Helene, às 21:00 locais de quinta-feira (mais uma hora em Lisboa), evoluía a 1.540 quilómetros a sudoeste do arquipélago, deslocando-se para norte a uma velocidade de 30 quilómetros por hora (km/h).

No seu texto, o IPMA mencionou a existência de “um desvio da trajetória mais para leste do que o previsto no comunicado anterior, pelo que é provável (probabilidade entre 40 a 70%) que o centro da tempestade atravesse a zona” entre os grupos ocidental (ilhas das Flores e do Corvo) e central (Faial, Pico, São Jorge, Terceira e Graciosa).

Em resultado, “o vento e a agitação marítima deverão ser mais elevados do que inicialmente previsto nas ilhas do grupo central”.

Ao contrário, “é pouco provável (probabilidade entre 20 a 40%) que o centro da tempestade passe pelo grupo oriental”, formado por São Miguel e Santa Maria.

Assim, o IPMA prevê que, “a partir da tarde/noite de sábado e madrugada de domingo”, o vento sopre forte a muito forte do quadrante sul com rajadas até 120 km/h, que haja chuva forte e ondas do quadrante sul entre seis a oito metros de altura nos grupos ocidental e central.

Já no grupo oriental, “prevê-se que a precipitação seja por vezes forte a partir de sábado e o que o vento aumente de intensidade no domingo”.

Durante este período, “a ondulação deverá ser de sudoeste de três a cinco metros de altura”.