Dezenas de habitantes de Raiva, Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, deixaram as suas casas, no domingo à tarde, devido ao mau tempo, face ao perigo de derrocada da encosta de São Domingos, situação normalizada horas depois.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara, Gonçalo Rocha, explicou que a medida foi tomada a título preventivo, em articulação com a proteção civil, porque se receava que a chuva forte pudesse levar ao deslocamento de uma grande quantidade de rocha daquela encosta íngreme próxima do rio Douro e afetasse as casas da zona.

Ao fim da tarde de domingo, os populares foram deslocados para um equipamento desportivo da freguesia, onde aguardaram que as condições do tempo melhorassem.

As pessoas compreenderam o nosso pedido", acentuou o autarca.

Pouco antes da meia-noite, quando o tempo já era mais favorável, foi dada indicação às pessoas de que podiam regressar às suas casas em segurança e assim repor a normalidade, acrescentou o presidente.

O autarca de Castelo de Paiva observou que a situação de risco na encosta de São Domingos está identificada há vários anos, mas os recentes incêndios que afetaram o concelho diminuíram a vegetação e aceleraram a erosão do solo e também o risco de derrocada.

A resolução do problema, frisou, obriga a um investimento muito elevado e o autarca espera que a situação possa ser resolvida rapidamente, anotando que o Governo, através do Ministério do Ambiente e da Secretaria de Estado da Proteção Civil, é conhecedor da situação.

Ao mesmo tempo, está a ser preparado pela autarquia um projeto para a intervenção.

O mau tempo dos últimos dias provocou vários prejuízos no concelho de Castelo de Paiva, destacando-se a queda de árvores que obstruíram estradas.

Entre os estragos contam-se ainda derrocadas de muros e condutas destruídas pelas grandes deslocações de água facilitadas pela destruição da vegetação provocada pelo grande incêndio de outubro.

Abastecimento de água em risco

A Águas do Vale do Tejo alertou esta segunda-feira, em comunicado, para a possibilidade de se verificarem alguns constrangimentos no abastecimento de água em algumas localidades dos concelhos de Gouveia e Seia, no distrito da Guarda, e de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra.

Segundo a empresa, tal situação surge "na sequência das condições meteorológicas adversas da última noite que afetaram a captação Nossa Senhora do Desterro", no concelho de Seia, no distrito da Guarda.

A Águas do Vale do Tejo alerta que "poderão vir a verificar-se alguns constrangimentos no abastecimento de água em algumas localidades dos concelhos de Gouveia, Oliveira do Hospital e Seia", nos distritos de Guarda e de Coimbra.

A empresa explica na nota que acionou o seu plano de contingência e que está "a envidar todos os esforços para o mais rapidamente possível repor a normalidade do sistema de abastecimento".

No comunicado apela ainda à compreensão e à colaboração dos consumidores "no sentido de serem evitados consumos excessivos" de água.

Balanço da tempestade Ana

A Proteção Civil destacou esta segunda-feira como consequências “mais graves” da passagem da tempestade Ana pelo território nacional, durante a madrugada e manhã, a ocorrência de um morto, cinco feridos ligeiros e 13 desalojados, em mais de três mil ocorrências.

Entre as consequências mais graves dignas de registo, entre muitas outras, ocorreram cinco vítimas leves e uma vítima mortal devido a queda de árvore, 13 desalojados ou deslocados devido a casas destelhadas e quedas de árvores sobre habitações”, disse Luís Belo Costa, Comandante Operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul.

Em conferência de imprensa, o comandante da Proteção Civil explicou que desde o final da tarde de domingo e o início da manhã de hoje registaram-se “um total de 3.187 ocorrências divididas por 1.997 quedas de árvore, 34 movimentos de massa, 370 inundações, 632 quedas de estruturas e 152 limpezas de vias”.

De acordo com Luis Belo Costa, registaram-se, igualmente, problemas na circulação de comboios, em particular na Linha da Beira Alta, devido à quebra de energia elétrica, além de estradas temporariamente cortadas, situações “já normalizadas”.

A passagem da tempestade Ana afetou o território nacional de norte para sul, sobretudo os distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Viseu, Braga, Coimbra, Leiria, Setúbal e Viana do Castelo, distritos onde, segundo o comandante da ANPC, se registaram em média mais de 150 ocorrências, à exceção de Lisboa, com mais de 500 registos.

Alerta amarelo até às 20:00

Luís Belo Costa adverte que “apesar de a situação estar estável, o estado de alerta especial de nível amarelo continua até às 20:00 de hoje”, pelo que recomenda às populações que evitem estar em locais junto a árvores ou zonas arborizadas, “já que foram estas que deram origem às piores consequências”.

A queda de estruturas foi igualmente um problema grave que também afetou o nosso trabalho”, disse o responsável, adiantando que no terreno estiveram 12.448 operacionais e mais de quatro mil veículos.

O responsável da Proteção Civil lembrou ainda as previsões de queda de neve em locais superiores a 800 metros e para os cuidados dos automobilistas para o uso de correntes de neve e de uma condução defensiva.

Luís Belo Costa recordou também os perigos da agitação marítima forte, desaconselhando passeios junto à orla costeira, “já que a história demonstrou que estar no sítio errado à hora errada traz problemas”.

Em relação às comunicações do SIRESP, o comandante da ANPC reconheceu que existiram “algumas falhas, em alguns locais, devido a falhas na energia elétrica, mas que o socorro não foi comprometido”.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) previa que a partir das 03:00 a tempestade Ana começasse a perder intensidade e a dissipar-se.

Esta segunda-feira, o IPMA disse que a tempestade já deixou o território português, estando agora prevista uma descida das temperaturas, aguaceiros, diminuindo de frequência e intensidade, possibilidade de trovoada e granizo, e queda de neve acima de 800 metros.