A Soflusa suprimiu esta segunda-feira oito carreiras na hora de ponta da manhã por só dispor de quatro navios operacionais, revelou a empresa à agência Lusa, admitindo que poderá continuar a verificar-se alguma diminuição de carreiras.

A empresa de transporte fluvial não realizou alguns trajetos previstos na ligação entre Lisboa e Barreiro, em ambos os sentidos.

Segundo a entidade, os transportes de barco não se realizaram às 07:15, 07:35, 08:05 e 08:15 no sentido Barreiro – Lisboa.

No sentido contrário – de Lisboa para o Barreiro - a empresa não conseguiu realizar os trajetos das 07:40, 08:00, 08:30 e 08:40.

De acordo com a companhia, o navio "Damião de Goes", que está a ser reparado, pode sair a qualquer o momento do estaleiro e retomar a sua atividade, “o que permitirá minimizar a diminuição de carreiras nas horas de ponta”.

Apesar de a empresa estar a desenvolver todos os esforços para repor a normalidade das carreiras, poderá continuar a verificar-se alguma diminuição de carreiras”, revelou a transportadora.

Na sexta-feira, a Soflusa anunciou que não vai conseguir assegurar esta semana todas as carreiras, por "indisponibilidade da frota".

A empresa está a desenvolver todos os esforços para repor a normalidade das carreiras, aguardando que o navio 'Damião de Góis' regresse do estaleiro e retome o serviço público", referiu a Soflusa, em comunicado enviado à Lusa.

“Atrasos propositados”

A empresa responsável pela ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa é acusada pelo Sindicato dos Transportes Fluviais, Costeiros e da Marinha Mercante (STFCMM) de vender navios e de “atrasos propositados” na renovação dos Certificados de Navegabilidade.

Em comunicado, o sindicato aponta a opção do Conselho de Administração da Soflusa de vender o navio “Augusto Gil” e os atrasos nas renovações dos Certificados de Navegabilidade como a causa do “problema de falta de navios para o desenrolar normal” daquela empresa de transporte fluvial.

Os necessários 96 Certificados dos oito navios foram acabando” e, esta semana, “o caos vai ser maior do que nunca” com a circulação de apenas quatro navios, referiu o STFCMM em comunicado.

Para um navio conseguir fazer o transporte regular de passageiros são necessários 12 Certificados de Navegabilidade e “com os atrasos e pedidos de prorrogação dos mesmos houve uma junção de todos os pedidos de renovação, com as respetivas docagens e reparações também a ficarem prolongadas no tempo”, revelou em comunicado enviado à Lusa.

Afirmando que esta semana haverá uma “sobrecarga” das embarcações, o sindicato lembrou que os navios são máquinas muito complexas, podendo avariar “quando menos se espera”.

As manutenções dos pontões - onde se fazem as atracações nos terminais - foram passadas para segundo plano, e estes estão sem “as devidas reparações e limpeza aos fundos”, mencionou.

"Indisponibilidade da frota"

Na sexta-feira, a Soflusa anunciou que não vai conseguir assegurar esta semana todas as carreiras por "indisponibilidade da frota".

Descontentes com as reduções dos horários, as supressões de carreiras e a situação em que a frota se encontra, os trabalhadores da Soflusa já anunciaram que pretendem avançar com uma greve ao trabalho extraordinário.

Esta situação não é exclusiva da Soflusa, a Transtejo também sofre com todos estes impedimentos.

Autarcas do Seixal e utentes vão realizar esta segunda-feira uma ação de protesto pela falta de barcos na Transtejo, referindo que existe uma "redução permanente" das ligações fluviais no rio Tejo.

O secretário de Estado do Ambiente, José Mendes, garantiu na terça-feira aos sindicatos que está a preparar um plano de renovação das frotas da Transtejo e Soflusa, segundo disse à Lusa, fonte sindical.

A Transtejo é a empresa responsável pelas ligações do Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão com Lisboa, enquanto a Soflusa faz a ligação entre o Barreiro e a capital.