O ministro da Saúde entende que ainda há "muito tempo" de negociação para que haja um bom acordo sobre as novas tabelas de preços da ADSE e que acredita que será encontrada uma posição de equilíbrio.

Estamos com muito tempo pela frente para que haja um bom acordo. Nem os privados vão deixar de prestar cuidados aos cidadãos nem a ADSE vai ser tão rígida para não ser capaz de estabelecer uma posição equilibrada”.

Adalberto Campos Fernandes disse ainda que o processo de negociação das novas tabelas da ADSE, o subsistema de saúde dos funcionários do Estado, está a decorrer com normalidade, e que “antes de um acordo há sempre um momento de tensão e de divergência” “Faz parte do processo negocial. As partes esticam posições e depois há um ponto de encontro”.

A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada considera que as novas tabelas da ADSE representam "perdas incomportáveis" para os privados e podem pôr em causa o acesso dos beneficiários aos cuidados de saúde.

Ontem, a Ordem dos Médicos Dentistas ameaçou acabar com o acordo com o subsistema de saúde dos funcionários públicos, caso se mantenha a proposta como está. 

Esta semana também o bastonário da Ordem dos Médicos classificou como “absolutamente escandalosos” os preços que a ADSE paga por alguns atos médicos, que muitas vezes não chegam sequer para as despesas do material usado em exames.

Existem alguns atos médicos, como as biopsias da próstata, endoscopias urológicas, entre outros, em que a remuneração paga pela ADSE nem sequer serve para cobrir as despesas do material que é utilizado para os exames”, afirmou o bastonário Miguel Guimarães, em declarações à agência Lusa.

O representante dos médicos afirma que tem recebido, de forma reiterada, queixas sobre os preços pagos pela ADSE, reclamações que chegam sobretudo da medicina privada.

A ADSE pediu ao Conselho Geral e de Supervisão um "parecer urgente", na semana passada, sobre a nova tabela de preços. O presidente da ADSE já tinha dito que, se fosse favorável, como foi, a tabela seria publicada "nos próximos 15 dias". A ver vamos.