O presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS), Jorge Costa Santos, revelou esta quarta-feira que em 2013 houve cerca de dez suicídios por cada 100 mil habitantes, mas não estabeleceu qualquer relação com crise que se vive no País.

«Tem havido um ligeiro aumento do número de suicídios nos últimos anos, mas, pela reduzida expressão numérica deste aumento, não é possível fazer extrapolações que nos permitam estabelecer qualquer relação com a crise económica», disse.

Segundo Jorge Costa Santos, estes dados constituem um ponto de partida para diversas comunicações e trabalhos de investigação que serão apresentados durante o XIII Simpósio da SPS, a 11 e 12 de abril, no Campus do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, no Monte da Caparica, em Almada.

O presidente da SPS referiu, no entanto, que, ao contrário da quase estabilização do número de suicídios nos últimos anos, «tem havido um aumento dos comportamentos autolesivos», pelo que considerou necessária uma «aposta na prevenção».

«Não foi por acaso que demos a este simpósio o subtítulo de ¿Suicídio e comportamentos autolesivos - da investigação à prevenção¿», disse, lembrando que nos comportamentos autolesivos se incluem as tentativas de suicido e a automutilação.

«A tónica da prevenção deve assentar, fundamentalmente, nos médicos de família, tendo em vista uma identificação precoce, um tratamento eficaz e o encaminhamento dos casos mais complexos para os psiquiatras, psicólogos e outros técnicos de saúde mental», defendeu.

De acordo com o responsável da SPS, o XIII simpósio vai também alertar para os «custos dos suicídios», que, além da perda de vidas humanas, também têm graves consequências económicas para o País.