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Suicídio: enforcamento é o método mais utilizado em Portugal

Homens optam menos pelo afogamento, mulheres distanciam-se das armas de fogo

Por: Redacção / CP    |   2008-10-02 13:06

O enforcamento é o método de suicídio mais utilizado em 16 países europeus, incluindo Portugal, representando quase metade do total de casos, revela um estudo concluído este ano a que a Lusa teve acesso.

Segundo o estudo «Métodos de suicídio na Europa», em que participou o psiquiatra português Ricardo Gusmão, da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, o enforcamento é o método mais comum entre homens e mulheres, embora a prevalência seja mais acentuada no sexo masculino.

No total dos países que compõem a Aliança Europeia contra a Depressão, 54,3 por cento dos homens que se suicidaram optaram pelo enforcamento, método preferido por 35,6 por cento das mulheres suicidas. Em Portugal, os números acompanham a média, representando 52,3 por cento dos casos de suicídio masculino e 31,5 do feminino.

O estudo indica que o recurso a armas de fogo é a segunda forma mais usada pelos homens para o suicídio, enquanto nas mulheres é a ingestão de medicamentos. No entanto, Portugal é excepção, uma vez que no caso das mulheres, a segunda técnica mais aplicada é o afogamento, factor que pode ser atribuível à dimensão da orla marítima. A última opção das mulheres é precisamente as armas de fogo, enquanto nos homens o afogamento é a menos comum.

Portugal com taxas baixas entre os jovens

Um outro estudo europeu, publicado em Junho de 2008, mostra também que os jovens da faixa etária dos 15 aos 24 anos preferem o enforcamento.

A Estónia apresenta a taxa de suicídio mais elevada entre os jovens masculinos dos 15 aos 24, , enquanto Portugal é o que apresenta a taxa mais baixa. No que respeita às mulheres, Portugal é novamente o último da lista, liderada pela Finlândia.

Porém, Ricardo Gusmão, que participou nos dois estudos, advertiu que os dados em Portugal estão subavaliados. «O mau registo do suicídio em Portugal deve-se à subestimação do suicídio e à sobrestimação grosseira das mortes de causa indeterminada, resultado de vários factores culturais e processuais», explicou o psiquiatra.

A não obrigatoriedade de autópsia psicológica nos casos inicialmente classificados como morte de causa indeterminada e a incapacidade efectiva em determinar o suicídio são duas causas apontadas.

O registo de óbito, muitas vezes passado por qualquer médico e não por aquele que acompanha a pessoa, a par de deficiências no processo de registo, dificulta também a determinação de causa de morte. Segundo o psiquiatra, há ainda razões de natureza religiosa que levam as comunidades a não admitirem o suicídio.

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