Eram cerca das 18:10 quando terminou a missa celebrada pelo Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, na capela do Rato, em honra de Sophia de Mello Breyner Andersen, que é transladada para o Panteão Nacional, esta quarta-feira, dez anos após a sua morte.

A urna, contendo os restos mortais da poetisa, coberta com a bandeira nacional, saiu da Capela em ombros de militares da GNR e foi colocada num armão militar, puxado por quatro cavalos brancos, e ornamentado com rosas cor-de-chá.

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O cortejo fúnebre, escoltado pela GNR a cavalo, seguiu para a Assembleia da República, onde chegou por volta das 18:30, e onde se encontrava uma delegação parlamentar chefiada pela presidente da Assembleia, Assunção Esteves.

O neto da poetisa, Pedro de Mello Breyner Andresen, afirmou, à saída missa, que as honras de Panteão prestadas à avó «não seriam uma ambição sua», mas que a família vê esta homenagem com «um sinal de carinho dos portugueses».

O cortejo seguiu, depois, para o Panteão Nacional, monumento que não fica muito distante da casa na colina da Graça, onde Sophia viveu.

Pouco antes das 19:00 já se ouviam os clarins da GNR que anunciavam a chegada do corpo à última morada da poetisa, diante dos olhos de cerca de duas centenas de pessoas que ali aguardavam pacientemente.

No adro do Panteão, encontravam-se várias personalidades convidadas, entre as quais o Presidente da República e a mulher.

O Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, entoando o Hino Nacional, marcou o início, cerca das 19:10, da cerimónia, e a urna, sempre coberta com a bandeira nacional, foi colocada em frente à porta principal do monumento.

A urna deu entrada, às 20:05, no Panteão Nacional, e o toque de clarim da GNR finalizou a cerimónia.

Ao longo da cerimónia, além dos discursos de José Manuel Santos, que fez o elogio da poetisa, da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, assistiram-se a duas atuações de bailarinos da Companhia Nacional de Bailado (CNB).

Os bailarinos dançaram um trecho do «Lago dos Cisnes», de Tchaikovsky, que, numa carta a sua mãe, Sophia comparou a «uma felicidade», e um dueto de «Orfeu e Eurídice», sobre música de Gluck.