O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, defende que "era essencial" que a acusação da Operação Marquês decorresse "no lugar próprio", como acontece "num Estado de direito", e não primeiro na comunicação social.

José Sócrates é um dos 28 acusados na Operação Marquês. Está acusado de um total de 31 crimes e de receber 24 milhões de euros em "luvas". Confrontado com isto, o governante socialista, que foi ministro de Sócrates, disse ver "com muita tranquilidade" a acusação. 

O que era essencial era que a acusação se fizesse no lugar próprio e através dos órgãos próprios, não nos jornais, nas televisões ou nas rádios, não através de fugas de informação, mas que se conhecesse qual é a acusação, os factos em que se fundamenta para também conhecermos qual é a defesa e depois o tribunal julgará. É assim que acontece num Estado de direito".

À margem da visita dos reis holandeses à Universidade de Lisboa, durante uma visita oficial de três dias a Portugal, Santos Silva, que foi ministro da Defesa e dos Assuntos Parlamentares nos dois governos liderados por José Sócrates, disse ainda que, "como amigo" do antigo primeiro-ministro, aguarda "com toda a serenidade, quer o texto da acusação", que disse ainda desconhecer, "quer a defesa, porque é isso que faz funcionar o Estado de direito: que as pessoas sejam acusadas nos lugares próprios e que se possam defender".

Questionado se a acusação foi demorada, Santos Silva apenas respondeu: "Como ministro dos Negócios Estrangeiros, não tenho mais nada a dizer".