A Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) anunciou que em 2014 realizaram-se menos 42 transplantes do que no ano anterior, uma realidade que considera «preocupante».

«A diminuição do número geral de transplantes, que afetou particularmente a transplantação renal, preocupa-nos seriamente», afirma o presidente da SPT, Fernando Macário.


Para tentar inverter esta tendência de quebra e encontrar soluções para aumentar a atividade, em particular o transplante com dador vivo, a Sociedade Portuguesa de Transplantação vai organizar na sexta-feira e no sábado, no Porto, um fórum aberto a todos os profissionais de saúde.

«A doação de órgãos em vida é uma das soluções possíveis e deve ser incentivada. É por esse motivo que vamos dedicar este fórum a analisar a doação em vida nos transplantes de rim, fígado e pulmão, bem como o programa nacional de doação cruzada», acrescenta Fernando Macário.

Segundo o responsável, a diminuição não afetou só os transplantes realizados, mas também as dádivas efetuadas. Em 2014 foram colhidos menos 30 órgãos e houve menos 6 dadores (289 dadores em 2014 e 295 em 2013). Já o número de transplantes renais com dador vivo manteve-se idêntico a 2013 (51 transplantes).

Segundo a SPT, as «boas notícias» registam-se nos transplantes de fígado, pulmão e pâncreas. Aumentou o número de transplantes hepáticos com dador vivo (5 transplantes em 2014 e 3 transplantes em 2013), registou-se o maior número de transplantes pulmonares dos últimos 5 anos (19 transplantes) e o transplante pancreático atingiu níveis superiores aos dos últimos 5 anos (26 transplantes).

O Fórum de Transplantação contará com a presença de María de la Oliva Valentín Muñoz, da Organização Nacional de Transplantes de Espanha, país com «maior sucesso na atividade de colheita de órgãos e de transplantação do mundo», e que na sua conferência irá transmitir a sua experiência.