A Assembleia Municipal de Cantanhede aprovou esta sexta-feira, por unanimidade, uma moção apresentada pelo Partido Socialista que defende a manutenção do hospital local no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No texto da moção, a que a agência Lusa teve acesso, é declinada a intenção da tutela em transferir a gestão do hospital Arcebispo João Crisóstomo para a Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede «ou para outra qualquer entidade privada, em defesa da sua permanência na rede pública do Serviço Nacional de Saúde».

A moção defende ainda a manutenção das Unidades de Internamento de Convalescença e Paliativos, «as quais já foram referência a nível nacional», a Cirurgia do Ambulatório e as especialidades e valências existentes na unidade hospitalar «como garantia de mais e melhor saúde para os munícipes» e a continuidade de cuidados de proximidade.

Da parte da bancada do PSD, maioritária da Assembleia Municipal, Carlos Pessoa lembrou que o protocolo a assinar com o ministério da Saúde - que devolve a gestão do hospital à Misericórdia - «ainda não é conhecido» e que os hospitais de Fafe, Anadia e Serpa, este último na primeira semana de janeiro de 2014, «servirão como experiências piloto» daquela intenção.

Já na bancada socialista, promotora da moção, Abel Carapeto frisou que a defesa da manutenção do hospital no SNS «não é nada contra» a Misericórdia de Cantanhede.

«O que não queremos é uma privatização encapotada do hospital», frisou.

O texto da moção refere ainda que o despacho da tutela que criou um grupo de trabalho para analisar as condições de devolução às misericórdias das unidades de saúde que se encontram sob gestão pública «foi aprovado sem o conhecimento dos cidadãos, do poder local e dos próprios serviços de saúde».

Por outro lado, os proponentes da moção - que será enviada, entre outros, ao Presidente da República, ministro da Saúde e grupos parlamentares da Assembleia da República - dizem que não se conhece o futuro de «todos» os profissionais do hospital de Cantanhede e que a unidade de saúde possui recursos humanos e materiais, infraestruturas e equipamentos «que devem ser rentabilizados, na linha do primado da sustentabilidade e da complementaridade na rede pública do Sistema Nacional de Saúde».