O presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior manifestou-se, esta terça-feira, preocupado com a possibilidade de os novos cursos superiores de curta duração funcionarem apenas com base em apoios comunitários, defendendo que o financiamento deve também ser assegurado no Orçamento do Estado.

Em declarações à Lusa, o presidente do sindicato, António Vicente, disse que os novos cursos superiores de curta duração que o Governo quer ver a funcionar nos politécnicos a partir do início do próximo ano letivo com base em apoios comunitários «não devem ser uma tábua de salvação» para estas instituições de ensino superior, e devem ser financiados também pelo Estado.

Sobre os consórcios entre instituições, uma das linhas da reforma do ensino superior que o Governo ainda está a ultimar, António Vicente disse ter dúvidas de que «venham resolver problemas de oferta formativa, que se concentra maioritariamente no litoral».

Apesar de entender que a mobilidade docente entre instituições deve ser incentivada, o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) não acredita que a partilha de recursos humanos prevista para estes consórcios, que já existe entre algumas instituições, seja «a solução para ajudar a ultrapassar a falta de recursos» com que algumas universidades e politécnicos lidam.

O sindicato lembrou ainda que tem pendente, na secretaria de Estado do Ensino Superior, um pedido feito em janeiro para iniciar um processo negocial de vinculação extraordinária para os docentes do ensino superior, à semelhança do que está a ser negociado com os sindicatos para o ensino básico e secundário.

De acordo com António Vicente, são «várias centenas» os professores do ensino superior em situação precária, com contratos anuais sucessivos nas instituições onde lecionam, em alguns casos há mais de 10 anos.

O sindicato já tinha anteriormente reivindicado vínculos mais estáveis para o corpo docente universitário e politécnico, como condição para o crescimento do número de alunos no ensino superior.