O Ministério da Educação lançou esta terça-feira um portal eletrónico em que apresenta indicadores do desempenho escolar por estabelecimento de ensino, com dados que permitem aferir se há desfasamentos entre as notas internas e de exames e a evolução dos alunos.

De acordo com o ministro da tutela, Nuno Crato, a nova ferramenta - Portal InfoEscolas - serve para que os diretores escolares e os professores possam «acompanhar melhor os alunos», avaliando os seus percursos, mas também para que os pais e os jovens possam «intervir na mais na escola», comparando os resultados com os apresentados por outros estabelecimentos de ensino, questionando se há desfasamento nas notas e porquê.

«Os dados estão neste momento construídos com critérios que são mais claros. Mais informação é mais poder para intervir e melhorar», defendeu Nuno Crato, em Lisboa, durante a apresentação do Portal InfoEscolas: Estatísticas do Ensino Secundário.


O ministro sublinhou que há menos alunos no sistema de ensino e que os dados estatísticos disponíveis permitem fazer previsões sobre o que vai acontecer com as migrações de umas regiões para outras e com a quebra da natalidade.

«Isso permite-nos adaptar melhor», afirmou Nuno Crato, acrescentando que os dados agora disponibilizados permitem também avaliar a evolução dos alunos em determinada escola desde o 9.º ano até terminarem o ensino secundário e o trabalho desenvolvido pela escola.

Esta análise pode ser feita às disciplinas de Português e Matemática, uma vez que são aquelas em que os alunos são chamados a exame no 9.º ano, explicou o subdiretor-geral da Direção de Estatística do Ministério da Educação, João Batista.

De acordo com o mesmo responsável, o portal inclui os dados de escolas públicas e privadas de Portugal Continental e, no que diz respeito à análise das notas internas e externas (comparação), só estão incluídos os cursos científico-humanísticos por serem aqueles em que todos os alunos fazem exame.

Os quadros permitem ver como é que o aluno entrou na escola e como é que saiu, disse João Batista, sublinhando que algumas escolas podem encontrar-se a meio da tabela nos resultados dos exames, mas terem uma elevada taxa de progressão se tiverem recebido alunos muito abaixo da média e melhorarem a sua prestação.

Os gráficos apresentam em que grande categoria se insere determinada escola, se está 10 por cento acima ou abaixo da média nacional, por exemplo, mas não publicam uma amostra nacional no sentido de apresentar quantos estabelecimentos estão acima ou abaixo da média nos respetivos indicadores.

«Não dá informação a nível coletivo e absoluto de todas as escolas», admitiu, mostrando que é possível ver como se posicionam as escolas, numa análise por distrito e por concelho.


As escolas de Faro, exemplificou, estão em linha com a média nacional a Português, e a Matemática estão acima.

É também possível ver a taxa de retenção nas diferentes escolas, o número de alunos por ano curricular e por sexo e os cursos aí ministrados.

O lançamento do portal segue-se à divulgação, no ano passado, de uma ferramenta idêntica com informação sobre os cursos do ensino superior.