A Marinha vai utilizar 50 milhões de euros da Lei da Programação Militar para a eventual compra do navio Siroco, mas desconhece a origem dos 30 milhões que cabem ao Governo, disseram à agência Lusa fontes parlamentares.

Numa audição à porta fechada na comissão de Defesa, o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Macieira Fragoso, afirmou perante os deputados que para a compra do navio polivalente logístico à França deverá haver 30 milhões de euros «de financiamento externo» à Lei da Programação Militar (LPM).

Questionado pelos deputados, o chefe militar disse que cabe ao poder político encontrar esta verba, já que em sede de LPM serão disponibilizados apenas 50 milhões, provenientes de outros programas de reequipamento.

Luís Macieira Fragoso disse desconhecer a eventual proveniência desta verba.

Chefes militares dizem que navio logístico é «lacuna crítica»

O comandante das Forças Armadas e o chefe da Marinha consideram que a falta de um navio logístico é «uma lacuna crítica» e que a operação do Siroco custará cerca de 22 mil euros por dia.

Fontes parlamentares adiantaram à agência Lusa que na sua intervenção inicial, numa audição da comissão de Defesa à porta fechada, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Pina Monteiro, afirmou que a aquisição deste navio preenche «uma lacuna crítica da capacidade de projeção de forças».

O general apontou a falta deste meio como «uma carência recorrente no cumprimento dos objetivos nacionais» e que a última revisão das principais leis da Defesa voltaram a mostrar esta «situação crítica».

Já o chefe do Estado-Maior da Armada, Macieira Fragoso, disse na sua intervenção que o funcionamento do navio francês ronda os 22 mil euros por dia, abaixo dos 30 mil euros exigidos pelas fragatas portuguesas.

O almirante explicou que a principal poupança reside nos motores que por serem «mais novos» gastam menos combustível.

O chefe militar adiantou ainda aos deputados que as negociações para a compra estão atualmente suspensas, mas que o preço final do navio vai depender do equipamento complementar (comunicações, radares, sonares, armamento) e da manutenção feita pelos franceses.

O Estado francês pede cerca de 80 milhões de euros pelo Siroco, que também é cobiçado por alguns países da América do Sul, mas o almirante referiu que este valor terá de ser negociado e depende da inclusão de equipamentos complementares do navio (comunicações e armamento) e da sua manutenção.

O chefe da Marinha e o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, foram ouvidos pelos deputados esta manhã sobre o processo de aquisição do navio, que está atualmente suspenso, depois de o PS se ter abstido na votação na especialidade da LPM.

Os socialistas defendem que esta aquisição deve constar expressamente da lei.

A votação final global em plenário da LPM e da Lei de Programação de Infraestruturas Militares está agendada para sexta-feira.