O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais defende que a "falta de informação" que pode ter decorrido de uma falha do SIRESP- Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal "contribuiu" para a decisão em relação à estrada EN 236-1, agora apelidada da estrada da morte, onde morreram 47 das 64 vítimas mortais do incêndio ocorrido no sábado, em Pedrógão Grande

"No perímetro do incêndio do qual fazia parte a estrada, essa e outras estradas municipais, deveria haver informação concisa que deveria ser acompanhada no terreno, através da rede SIRESP", começou por explicar Fernando Curto, em entrevista no Jornal da Uma da TVI. 

Se não houve decisão, se não houve essa informação no sentido de coordenar com o posto de comando, é natural que alguma coisa não correu bem, no que diz respeito à decisão do fecho ou não da estrada"

A Proteção Civil admitiu hoje de manhã pequenas falhas no SIRESP, "muito curtas, de minuto, meio minuto". Mas também disse que, apesar de por vezes existirem, "nunca comprometeram as operações". 

O primeiro-ministro e o secretário de Estado da Administração Interna receberam informações diferentes da GNR sobre o que aconteceu na estrada. António Costa referiu, em entrevista à TVI, que a resposta da GNR ao seu despacho, no qual exigia respostas urgentes sobre várias questões, entre elas a razão para o não encerramento dessa via, confirma que a EN 236-1 não foi cortada.

Ora, o secretário de Estado Jorge Gomes disse à TSF que colocou de imediato a questão à GNR e recebeu outra resposta.

"Uma das primeiras perguntas que fiz à Guarda Republicana foi se a via estava fechada. A Guarda Republicana informou-me que sim, que a via estava fechada."

Será preciso esclarecer a que momento o secretário de Estado se referia e por que a GNR o informou que a estrada estava encerrada. Note-se que declaração foi posterior à de António Costa, ontem, na TVI, que até nas questões que colocou à GNR partiu do princípio que a estrada estava aberta à circulação.

Perante isto, qual a posição da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais? "Chegando a informação ao secretário de Estado, porventura não chegou ao posto de comando. Não chegando, as forças no terreno não têm a mesma informação. Não tendo a mesma informação, as pessoas são canalizadas para essa estrada como sendo uma situação normal de segurança para poderem circular", notou Fernando Curto.

"O nosso entendimento é que não havendo informação concisa, havendo falha do SIRESP, a falta de informação contribuiu para que houvesse disfuncionalidade da decisão [o que] contribuiu para a situação que se verificou".

Algo que, defende, "não pode ocorrer". Fernando Curto lembrou que o SIRESP teve "situações deficientes" em momentos anteriores, e que "foram também detetadas".