O sobrevivente do naufrágio de uma embarcação de pesca ao largo da praia das Maçãs, no litoral de Sintra, foi encaminhado para a capitania do porto de Cascais, para ser ouvido, informou fonte da autoridade marítima.

«O homem já teve alta e vai ser ouvido pela Polícia Marítima no âmbito do processo de inquérito», revelou o comandante da capitania do porto de Cascais, Mário Domingues.

As autoridades foram alertadas, cerca das 03:10 de hoje, para o naufrágio da embarcação «Santa Maria dos Anjos», com cerca de 11 metros, registada em Olhão, mas de um armador do Norte do país, ao largo da praia das Maçãs, com seis pescadores a bordo.

Um pescador, luso-francês, de 26 anos, conseguiu nadar para terra agarrado a uma bóia e subiu a arriba na zona do Mindelo, perto da praia das Maçãs, batendo à porta de habitações a pedir socorro, até ser encontrado pelo guarda-noturno, alertado por uma moradora.

«Nunca vi uma pessoa a tremer tanto na minha vida», comentou Eduardo Gil, guarda-noturno, que contou que o pescador lhe disse que «a embarcação tinha virado» e que «outros dois companheiros vinham para terra atrás dele, mas que os deixou de ver».

«Ele só falava que nunca mais queria [andar no] mar, que ia para trolha, mas que nunca mais voltava para a pesca», acrescentou o vigilante, que ainda procurou vestígios de mais sobreviventes, mas sem sucesso.

O homem foi transportado para o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), onde foi assistido e saiu pelos seus próprios meios, após ter alta, mas voltou posteriormente à unidade de saúde, onde esperou pelas autoridades, adiantou à Lusa fonte dos bombeiros.

Os destroços começaram a dar à praia das Maçãs durante o início da manhã, tendo sido recolhida uma balsa e outros objetos, com as buscas a mobilizarem meios terrestes, marítimos e aéreos numa área entre a praia Grande e a praia do Magoito, para encontrar os outros pescadores, explicou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Colares, Luís Recto.

Um bocado da estrutura do barco de pesca, «que se presume ser da parte de cima da cabine», foi detetada pela lancha da estação salva-vidas e recolhida para a corveta Batista de Andrade, que apoiou nas buscas, informou Mário Domingues.

Durante a manhã foram dando à costa destroços e materiais relacionados com a embarcação e «foi detetada uma mancha de gasóleo no mar, a cerca de uma milha, perto das Azenhas do Mar», adiantou o comandante do porto de Cascais.

A embarcação tinha saído de Peniche, cerca das 21:00 de terça-feira, e «estava a navegar para uma zona de pesca ao linguado», ao largo de Cascais, com seis ocupantes, com idades entre os 27 e os 51 anos, segundo José Festas, presidente da associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar.

Os pescadores eram oriundos dos concelhos de Vila do Conde e Póvoa de Varzim, e um será de origem ucraniana, acrescentou o representante dos pescadores, assegurando que «o mestre era experiente e tinha cerca de 25 anos de mar».

Familiares dos pescadores desaparecidos contam como souberam da notícia

«Ele não ter morrido de frio pelo caminho foi uma sorte», desabafou um pescador desportivo, morador na Azóia, de 51 anos, que também fez vida na pesca profissional e que também já apanhou «uns valentes sustos na apanha de percebes» no litoral de Sintra.

O presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS), deslocou-se ao local e assegurou que a autarquia «está a dar todo o apoio nas buscas por terra», através de 33 bombeiros das corporações de Colares e de Almoçageme e elementos do Serviço Municipal de Proteção Civil.

Para além da corveta Batista de Andrade, da Marinha, e de duas embarcações das estações salva-vidas de Cascais e Ericeira, participam nas buscas um helicóptero EH-101 da Força Aérea Portuguesa.