Não, não é um problema de velhos. É um problema de novos e que pode não ter outro remédio que não a cirurgia. A maioria dos portugueses operados à coluna, em unidades de saúde públicas, encontrava-se em idade ativa, revela um estudo promovido por várias sociedades médicas.

Este estudo vem comprovar que o principal alvo das cirurgias à coluna não é a população mais idosa mas sim a população em idade ativa, que aqui representa a maior franja das intervenções cirúrgicas realizadas"

Oo presidente da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia (SPN), Paulo Pereira, deixa esse alerta a propósito de um estudo divulgado esta segunda-feira, no qual participaram, também, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral e a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia. Um estudo que pretende divulgar a forma como em Portugal se tratam cirurgicamente os problemas da coluna.

“Quem são os doentes, de onde são, quais as patologias alvo destas cirurgias, que tipo de abordagens cirúrgicas são realizadas e como tem sido a evolução dessa atividade em Portugal, são algumas das questões que vão encontrar resposta nesta investigação”, indica um comunicado da SPN.

As primeiras conclusões do estudo serão divulgadas hoje, Dia Mundial da Coluna, e indicam que “mais de metade (52%) dos portugueses operados à coluna no SNS são indivíduos em idade ativa e a maioria são mulheres (55%)”.

Estes são pacientes que, não tratados, representam visitas frequentes aos hospitais, absentismo laboral ou até reformas antecipadas, com consequentes implicações não só na sua saúde mas também na produtividade e na economia do país”.

É o que faz notar o presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, Manuel Tavares de Matos, acrescentando que "ao tratarmos os problemas da coluna de forma cirúrgica nos doentes que para tal tenham indicação, estamos a promover uma recuperação mais rápida e a resolução do seu problema inicial”.

Já o coordenador da Secção da Coluna da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, Nelson Carvalho, considera que “a inovação que temos assistido nos últimos anos, nas cirurgias à coluna, tem trazido inúmeras vantagens para a qualidade de vida do doentes, nomeadamente a redução do tempo de regresso ao trabalho e da retoma das atividades diárias”.

Estes dados são relativos a 2015 e contemplam as cirurgias à coluna - artrodeses, artroplastias, descompressões, discectomias, fixações dinâmicas, vertebroplastias e cifoplastias - realizadas em hospitais do SNS.